Sunday, 21 June 2020

Uma passagem de Anna Karenina

"-O meu pecado principal é a dúvida. Duvido de tudo, e, a maior parte do tempo, é a dúvida que me persegue.

-A dúvida é própria da fraqueza humana - repetiu o sacerdote- De que duvida principalmente?

-De tudo. Às vezes até da existência de Deus - disse Lievin, quase malgrado seu."

TOLSTOI, Lev. Anna Karenina. Sexta Parte. Capítulo I.

Thursday, 11 June 2020

Excertos de Eneida

"Bani o medo do coração, ó Troianos!" Livro I

"Filho de uma deusa, que pensamento se eleva agora da tua alma"? Livro I

Wednesday, 10 June 2020

Para Gabriela



As nuvens passam nos céus
O outono parece não acabar
Desde que ela deixou os sonhos seus
Sem ao menos um adeus me dar!

A fina flor da juventude se desvaneceu
Suas pétalas desabaram
Tão linda e jovem pereceu
Deixando tristes os corações dos que a amaram!

Todos os sonhos acabaram naquela avenida
Amores, alegrias e ilusões
Tudo deixou de existir com sua eterna ida!

Mas o que Deus pretendeu?
Se a ela não lhe perdoou
Nem mesmo a divina beleza que lhe concedeu?

Monday, 1 June 2020

"Considerate la vostra semenza:
fatti non foste a viver come bruti,
ma per seguir virtute e canoscenza."

Canto XXVI, lines 118–120.

Fuimus Troes, fuit Ilium.


Painting by Johann Georg Trautmann (1713–1769). From Wikipedia.

Sunday, 31 May 2020

Completei a coleção Obras Primas da editora Nova Cultural!


Coleção Obras Primas da Editora Nova Cultural, lançada originalmente em 2001, completa!

A coleção foi iniciada por minha Mãe no ano de 2001 e completada por mim em 2020. São 50 títulos originais, mais dois títulos extras e dois volumes de biografias.

Ainda me lembro quando minha Mãe chegou a nossa casa com um exemplar de um livro vermelho em mãos: era a primeira edição da coleção, a de Dom Quixote! A beleza da obra e o dourado dos arabescos da capa me encheram os olhos! Que dias felizes foram aqueles!

Dedico a minha nobre e saudosa Mãe esta valorosa coleção de obras primas da literatura universal!

Aphorismus 341

se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” – Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!”.

Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

Nietzsche,  Die Fröhliche Wissenschaft, aforismo 341