"Seus versos admiram a quem os ouve, e tal é a suavidade da voz com que os canta, que encanta." Cervantes
Sunday, 27 September 2020
Wednesday, 16 September 2020
Friedrich Nietszche,Aphorismus 330
"Der Denker bedarf des Beifalls und des Händeklatschens nicht, vorausgesetzt, dass er seines eigenen Händeklatschens sicher ist: diess aber kann er nicht entbehren."
"O PENSADOR NÃO TEM NENHUMA NECESSIDADE DE APROVAÇÃO, E TAMPOUCO DE APLAUSOS, DESDE QUE ESTEJA CERTO DE SEUS PRÓPRIOS APLAUSOS. ESTES, PELO CONTRÁRIO, NÃO PODE DISPENSÁ-LOS."
Sunday, 13 September 2020
𝕷𝖆𝖙𝖎𝖒
A origem do idioma latino nos remete aos tempos pré-históricos. Mas apenas no século III a.C adquiriu formas literárias e estrutura gramatical reconhecida. Assim, sua consolidação deu-se no século I a.C..
O latim era o idioma falado pelos latinos, etruscos e sabinos; povos que habitavam a região central da Itália chamada de Lacio (Latium), onde atualmente encontra-se a cidade de Roma. Da união destes três povos surgiu a civilização romana.
Até o século V da era cristã, os romanos estenderam seu domínio sobre os outros povos através da superioridade bélica. A cultura romana também foi imposta e difundida pelo mundo. Assim, o idioma latino enraizou-se em várias civilizações e originou as línguas neolatinas faladas atualmente, como o português, espanhol, francês, romeno, italiano, etc.
O latim possui duas formas básicas: clássico (ou erudito) e eclesiástico. O clássico é considerado a forma culta, e está vinculado aos filósofos como Sêneca, Cícero e César. O latim eclesiástico surgiu a partir da era cristã do império romano, e foi difundido por Santo Agostinho, São Ambrósio, São Jerônimo entre outros.
Historicamente seus períodos podem ser divididos, com maior exatidão, desse modo:
-
Pré-clássico, do século VII a.C. ao século II a.C.. As inscrições mais antigas procedem do século VII a.C. Nos séculos III e II a.C. a literatura faz sua aparição, sob influência grega (Plauto, Terencio).
-
Clássico, do século II a.C. ao século II d.C. A idade dourada da literatura latina.
-
Latim Vulgar, incluindo o período patrístico, do século II ao V d.C. Onde se inclui a Vulgata de São Jerônimo e as obras de Santo Agostinho. Esse Latim Vulgar é a essência do que é o italiano atual, tanto que para estudo do latim nos dias de hoje usa-se a pronúncia restaurada, que é o latim pronúnciado como o italiano, devido a dificuldade que há em conhecer a real pronúncia do latim na antigüidade.
-
Período Medieval, do século VI ao século XIV. A literatura latina continua mas surgem as línguas românicas.
-
Do século XV até os dias atuais. Redescoberta do latim da idade dourada no Renascimento. O latim vulgar continua sendo usado pelos eruditos até o século XVII, como Isaac Newton, e pela Igreja Católica Romana (obrigatório até meados do século XX).
Após a sua transformação em línguas românicas, o latim continuou fornecendo um repertório de raízes para muitos campos semânticos, especialmente culturais e técnicos, para uma ampla variedade de línguas.
No Brasil, o ensino do latim foi orientado pela sua forma eclesiástica e seu matiz de pronúncia italiana. Infelizmente, deixou de ser obrigatório no final dos anos sessenta. Inevitavelmente, houve um declínio significativo na qualidade do português brasileiro.
Atualmente, o latim se faz presente na música e na literatura. Algumas bandas, como o Tristania (na música Preludium, por exemplo) e After Forever (em músicas como Leaden Legacy e Ex Cathedra), incluem em suas letras citações em latim. Na literatura, alguns autores intitulam suas obras com expressões latinas. Por exemplo, o mineiro Alphonsus de Guimaraens, autor de Pulchra Et Luna e Ossa Mea.
Fonte: http://spectrumgothic.com.br/literatura/latim.htm. Acesso em 13/09/2020 às 12:34h.
𝕰𝖑𝖊𝖒𝖊𝖓𝖙𝖔𝖘 𝖉𝖆 𝕻𝖔𝖊𝖘𝖎𝖆
Estrofe
A arte de um poema consistindo de uma série de linhas ou versos dispostos em uma certa configuração regular, definidos por metrificação e rima que se repetem periodicamente. Uma estrofe tem geralmente um "pattern" regular de número de linhas, metrificação e rima, constituindo-se em uma seção da poesia. No entanto, uma estrofe irregular não é incomum.
Na corrente modernista encontramos estrofes livres, onde a preocupação maior é com o conteúdo dando-se menor importância à metrificação, à rima ou a qualquer outra configuração regular.
As estrofes podem ser classificadas como:
1 - monóstico
2 - dístico
3 - terceto
4 - quarteto (ou quadra)
5 - quintilha
6 - sextilha
7 - sétima
8 - oitava
9 - nona
10 - décima
Todas as estrofes que tenham mais de dez versos recebem a denominação de Irregulares.
Ritmo
Considerado por muitos como sendo a mística da palavra, o ritmo é uma alternação uniforme de sílabas tônicas e não tônicas em cada verso de uma composição poética.
O ritmo de um poema ainda tem muito a ver com a metrificação e a correspondência sonora provocada pela rima. Todo esse conjunto de elementos determina o ritmo da obra.
No verso livre a sonoridade rítmica obedece a um padrão próprio, não sendo governado por regras externas derivadas da alternação uniforme de sílabas tônicas ou de metrificação e rima, a essa modalidade dá-se o nome de Arritmia.
Elisão
A elisão é a supressão (na escrita ou na pronúncia) na vogal final de uma palavra e antes da vogal inicial da palavra seguinte. É usado para adequar o número de sílabas poéticas dentro de um verso.
Ex.: Copo-d’água - Pau-d’alho
Metrificação
– Escansão
Metrificação é a técnica
para se medir um verso. Em Português, ela se apóia
na tonicidade das palavras, a escansão; contagem dos sons
dos versos. É importante observar que as sílabas
métricas diferem das sílabas gramaticais, observando-se
as seguintes regras:
a) só contaremos até a última sílaba tônica de um verso.
1 2 3
Tal / a / chu / va
1 2 3
Trans / pa / re / ce
1 2 3
Quan / do / des / ce
(va/ce/ce - são as sílabas átonas e não entram na contagem poética)
b) Quando em um verso uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal ou H (que não tem som, portanto não é fonema, mas uma simples letra), dar-se-á uma elisão.
A/mo/-te, ó/ cruz/ no/ vér/ti/ce/ fir/ma/da
De es/plên/di/das/ i/gre/jas.
c) Sinérese: é a fusão de dois sons num só dentro da mesma palavra.
Lan/ça a/ poe/si/a
d) Diérese: o contrário da sinérese. Separa em sílabas distintas dois sons vocálicos dentro de uma mesma palavra.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Deus/ fa/la/, quan/do a/ tur/ba es/tá/ qui/e/ta
e) Hiato: é o contrário da elisão. Separa-se de dois sons interverbais (a sinérese e a diérese são intraverbais; a elisão e o hiato são interverbais). Conferir elisão e hiato no exemplo à seguir:
E/ va/ ga
Ao/ lu/ ar
Se a/pa/ga
No / ar.
2. Classificação do verso quanto ao número de sílabas:
a) Isométricos: são os versos de uma só medida. São classificados como:
-
monossílabos
-
dissílabos
-
trissílabos
-
tetrassílabos
-
pentassílabos (ou redondilha menor)
-
hexassílabos (heróico quebrado)
-
heptassílabos (redondilha maior)
-
octossílabos
-
eneassílabos
-
decassílabos (medida nova)
-
hendecassílabos
-
dodecassílabos (ou alexandrinos)
b) Heterométricos: são os versos de diferentes medidas, usados em um mesmo poema.
c) Versos livres: são aqueles que não obedecem a nenhum esquema.
Rima
A rima é um dos elementos do verso, mas não é essencial ou obrigatório. É apenas uma opção do autor para criar um vínculo de "melodia" e acentuar o final de um verso. Este recurso passou a ser usado na Idade Média pelos trovadores. Atualmente, existem composições poéticas onde as rimas não são usadas, que recebem o nome de Poesia Branca ou Poesia Solta.
As rimas são classificadas quanto à disposição nas estrofes, e de acordo com as classes gramaticais que a compõem. Veja alguns exemplos.
1 - Quanto à posição:
Emparelhada (ligando versos seguidos).
A
A
B
B
Cruzada (versos rimados se alternam).
A A
B ou B
C A
B B
Abraçada (ligando dois versos iguais e dois diferentes).
A A C
B ou A e C
B A C
A B B
Interpolada (liga o primeiro e último verso, quando existem três ou mais entre as ligações).
A A
B B
B ou C
B D
A A
Seguida (liga dois ou mais versos sucessivos).
A B
B ou B
B A
2 - Quanto ao valor:
Pobre – Formada por palavras da mesma classe gramatical.
Existe (verbo)
Teimoso (adjetivo)
Aviste (verbo)
Amoroso (adjetivo)
Rica – Formada por palavras de classes gramaticais diferentes.
Espero (verbo)
Vida (substantivo)
Sincero (adjetivo)
Querida (adjetivo)
Rara - Formada por palavras de pouca rima, difíceis de se encontrar.
Cisne (adjetivo)
Bosque (substantivo)
Tisne (verbo ou substantivo)
Quiosque (substantivo)
Preciosa – Formada por artifícios gramaticais, ou junção de palavras.
Amá-la
Tranqüilo
De gala
Por certo fi-lo
Imperfeitas – Formada por palavras homógrafas (escrita igual ou semelhante, e significado diferente) e homofônicas (pronúncia igual ou semelhante).
Estrela (Homógrafa)
Vejo (Homofônica)
Vê-la (Homógrafa)
Beijo (Homofônica)
Fonte: https://www.spectrumgothic.com.br/literatura/elementos.htm. Acesso em 13/09/2020 às 12:21h.
Friday, 11 September 2020
Introdução marcante do Mestre Álvares de Azevedo
"São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor. É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço. Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias. São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus."
Diante da Lei - Franz Kafka
Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo chega a esse porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se então não pode entrar mais tarde.
-É possível - diz o porteiro - mas agora não.
Uma vez que a porta da lei continua como sempre aberta e o porteiro se põe de lado o homem se inclina para olhar o interior através da porta. Quando nota isso o porteiro ri e diz:
-Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala porém existem porteiros cada um mais poderoso que o outro. Nem mesmo eu posso suportar a simples visão do terceiro.
O homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele; agora, no entanto, ao examinar mais de perto o porteiro, com o seu casaco de pele, o grande nariz pontudo, a longa barba tártara, rala e preta, ele decide que é melhor aguardar até receber a permissão de entrada. O porteiro lhe dá um banquinho e deixa-o sentar-se ao lado da porta.
Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido e cansa o porteiro com os seus pedidos. Às vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra natal e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que os grandes senhores fazem, e para concluir repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar. O homem, que havia se equipado com muitas coisas para a viagem, emprega tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Com efeito, este aceita tudo, mas sempre dizendo:
-Eu só aceito para você não julgar que deixou de fazer alguma coisa.
Durante todos esses anos o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos amaldiçoa em voz alta e desconsiderada o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo. Torna-se infantil e uma vez que, por estudar o porteiro anos a fio, ficou conhecendo até as pulgas da sua gola de pele, pede a estas que o ajudem a fazê-lo mudar de opinião.
Finalmente sua vista enfraquece e ele não sabe se de fato está ficando mais escuro em torno ou se apenas os olhos o enganam. Não obstante reconhece agora no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. Mas já não tem mais muito tempo de vida. Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime, pois não pode mais endireitar o corpo enrijecido. O porteiro precisa curvar-se profundamente até ele, já que a diferença de altura mudou muito em detrimento do homem:
-O que é que você ainda quer saber? pergunta o porteiro. Você é insaciável.
-Todos aspiram à lei - diz o homem. Como se explica que em tantos anos ninguém além de mim pediu para entrar?
O porteiro percebe que o homem já está no fim e para ainda alcançar sua audição em declínio ele berra:
-Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a.
Franz Kafka (Praga, 3 de julho de 1883 - Klosterneuburg, 3 de junho de 1924) foi um escritor de língua alemã.
"-E porventura não há meios de morrer sem dor?
-Imagine - parou ele diante de mim -, imagine uma pedra do tamanho de uma casa grande; ela está suspensa e você debaixo dela; se lhe cair em cima, na cabeça, sentirá dor?
-Uma pedra do tamanho de uma casa? Claro que dá medo.
-Não estou falando do medo; sentirá dor?
-Uma pedra do tamanho de uma montanha, milhoes de puds (medida antiga, correspondente a 16,3 kg. É claro que não há dor nenhuma.
-Mas se você realmente ficar debaixo, e enquanto ela estiver suspensa, vai ter muito medo de sentir dor. O primeiro cientista, o primeiro doutor, Todos sentirão medo. Cada um saberá que não sentirá dor e cada um terá muito medo de sentir dor.
- Bem, e a segunda causa, a grande?
- É o outro mundo.
- Ou seja, o castigo?
- Isso é indiferente. O outro mundo; só o outro mundo.
- Por acaso não há ateus que não acreditam absolutamente no outro mundo?
Tornou a calar-se.
-Você não estará julgando por si?
-Ninguém pode julgar senão por si mesmo - pronunciou ele enrubescendo - Haverá toda a liberdade quando for indiferente viver ou não viver. Eis o objetivo de tudo."
Trecho do romance Os Demônios de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski:
(Diálogo entre Kiríllov e o amigo de Stiepan Trofímovitch)




