Wednesday, 16 September 2020


 

Friedrich Nietszche,Aphorismus 330

 "Der Denker bedarf des Beifalls und des Händeklatschens nicht, vorausgesetzt, dass er seines eigenen Händeklatschens sicher ist: diess aber kann er nicht entbehren."

"O PENSADOR NÃO TEM NENHUMA NECESSIDADE DE APROVAÇÃO, E TAMPOUCO DE APLAUSOS, DESDE QUE ESTEJA CERTO DE SEUS PRÓPRIOS APLAUSOS. ESTES, PELO CONTRÁRIO, NÃO PODE DISPENSÁ-LOS."

Sunday, 13 September 2020

𝕷𝖆𝖙𝖎𝖒

A origem do idioma latino nos remete aos tempos pré-históricos. Mas apenas no século III a.C adquiriu formas literárias e estrutura gramatical reconhecida. Assim, sua consolidação deu-se no século I a.C..

O latim era o idioma falado pelos latinos, etruscos e sabinos; povos que habitavam a região central da Itália chamada de Lacio (Latium), onde atualmente encontra-se a cidade de Roma. Da união destes três povos surgiu a civilização romana.

Até o século V da era cristã, os romanos estenderam seu domínio sobre os outros povos através da superioridade bélica. A cultura romana também foi imposta e difundida pelo mundo. Assim, o idioma latino enraizou-se em várias civilizações e originou as línguas neolatinas faladas atualmente, como o português, espanhol, francês, romeno, italiano, etc.

O latim possui duas formas básicas: clássico (ou erudito) e eclesiástico. O clássico é considerado a forma culta, e está vinculado aos filósofos como Sêneca, Cícero e César. O latim eclesiástico surgiu a partir da era cristã do império romano, e foi difundido por Santo Agostinho, São Ambrósio, São Jerônimo entre outros.

Historicamente seus períodos podem ser divididos, com maior exatidão, desse modo:

  • Pré-clássico, do século VII a.C. ao século II a.C.. As inscrições mais antigas procedem do século VII a.C. Nos séculos III e II a.C. a literatura faz sua aparição, sob influência grega (Plauto, Terencio).
  • Clássico, do século II a.C. ao século II d.C. A idade dourada da literatura latina.
  • Latim Vulgar, incluindo o período patrístico, do século II ao V d.C. Onde se inclui a Vulgata de São Jerônimo e as obras de Santo Agostinho. Esse Latim Vulgar é a essência do que é o italiano atual, tanto que para estudo do latim nos dias de hoje usa-se a pronúncia restaurada, que é o latim pronúnciado como o italiano, devido a dificuldade que há em conhecer a real pronúncia do latim na antigüidade.
  • Período Medieval, do século VI ao século XIV. A literatura latina continua mas surgem as línguas românicas.
  • Do século XV até os dias atuais. Redescoberta do latim da idade dourada no Renascimento. O latim vulgar continua sendo usado pelos eruditos até o século XVII, como Isaac Newton, e pela Igreja Católica Romana (obrigatório até meados do século XX).

Após a sua transformação em línguas românicas, o latim continuou fornecendo um repertório de raízes para muitos campos semânticos, especialmente culturais e técnicos, para uma ampla variedade de línguas.

No Brasil, o ensino do latim foi orientado pela sua forma eclesiástica e seu matiz de pronúncia italiana. Infelizmente, deixou de ser obrigatório no final dos anos sessenta. Inevitavelmente, houve um declínio significativo na qualidade do português brasileiro.

Atualmente, o latim se faz presente na música e na literatura. Algumas bandas, como o Tristania (na música Preludium, por exemplo) e After Forever (em músicas como Leaden Legacy e Ex Cathedra), incluem em suas letras citações em latim. Na literatura, alguns autores intitulam suas obras com expressões latinas. Por exemplo, o mineiro Alphonsus de Guimaraens, autor de Pulchra Et Luna e Ossa Mea.

 

Fonte: http://spectrumgothic.com.br/literatura/latim.htm. Acesso em 13/09/2020 às 12:34h.

𝕰𝖑𝖊𝖒𝖊𝖓𝖙𝖔𝖘 𝖉𝖆 𝕻𝖔𝖊𝖘𝖎𝖆

Estrofe

 

A arte de um poema consistindo de uma série de linhas ou versos dispostos em uma certa configuração regular, definidos por metrificação e rima que se repetem periodicamente. Uma estrofe tem geralmente um "pattern" regular de número de linhas, metrificação e rima, constituindo-se em uma seção da poesia. No entanto, uma estrofe irregular não é incomum.

Na corrente modernista encontramos estrofes livres, onde a preocupação maior é com o conteúdo dando-se menor importância à metrificação, à rima ou a qualquer outra configuração regular.

As estrofes podem ser classificadas como:

1 - monóstico

2 - dístico

3 - terceto

4 - quarteto (ou quadra)

5 - quintilha

6 - sextilha

7 - sétima

8 - oitava

9 - nona

10 - décima

Todas as estrofes que tenham mais de dez versos recebem a denominação de Irregulares.

 

Ritmo

Considerado por muitos como sendo a mística da palavra, o ritmo é uma alternação uniforme de sílabas tônicas e não tônicas em cada verso de uma composição poética.

O ritmo de um poema ainda tem muito a ver com a metrificação e a correspondência sonora provocada pela rima. Todo esse conjunto de elementos determina o ritmo da obra.

No verso livre a sonoridade rítmica obedece a um padrão próprio, não sendo governado por regras externas derivadas da alternação uniforme de sílabas tônicas ou de metrificação e rima, a essa modalidade dá-se o nome de Arritmia.

Elisão

A elisão é a supressão (na escrita ou na pronúncia) na vogal final de uma palavra e antes da vogal inicial da palavra seguinte. É usado para adequar o número de sílabas poéticas dentro de um verso.

Ex.: Copo-d’água  -  Pau-d’alho

 

Metrificação – Escansão

Metrificação é a técnica para se medir um verso. Em Português, ela se apóia na tonicidade das palavras, a escansão; contagem dos sons dos versos. É importante observar que as sílabas métricas diferem das sílabas gramaticais, observando-se as seguintes regras:

1. Contagem das sílabas métricas:

a) só contaremos até a última sílaba tônica de um verso.

  1    2    3

Tal / a / chu / va

   1       2     3

Trans / pa / re / ce

   1       2     3

Quan / do / des / ce

(va/ce/ce - são as sílabas átonas e não entram na contagem poética)

b) Quando em um verso uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal ou H (que não tem som, portanto não é fonema, mas uma simples letra), dar-se-á uma elisão. 

A/mo/-te, ó/ cruz/ no/ vér/ti/ce/ fir/ma/da

De es/plên/di/das/ i/gre/jas.

c) Sinérese: é a fusão de dois sons num só dentro da mesma palavra.

Lan/ça a/ poe/si/a

d) Diérese: o contrário da sinérese. Separa em sílabas distintas dois sons vocálicos dentro de uma mesma palavra.

   1     2  3     4     5       6   7  8   9   10

Deus/ fa/la/, quan/do a/ tur/ba es/tá/ qui/e/ta

e) Hiato: é o contrário da elisão. Separa-se de dois sons interverbais (a sinérese e a diérese são intraverbais; a elisão e o hiato são interverbais). Conferir elisão e hiato no exemplo à seguir:

E/ va/ ga

Ao/ lu/ ar

Se a/pa/ga

No / ar.

2. Classificação do verso quanto ao número de sílabas:

a) Isométricos: são os versos de uma só medida. São classificados como:

  • monossílabos
  • dissílabos
  • trissílabos
  • tetrassílabos
  • pentassílabos (ou redondilha menor)
  • hexassílabos (heróico quebrado)
  • heptassílabos (redondilha maior)
  • octossílabos
  • eneassílabos
  • decassílabos (medida nova)
  • hendecassílabos
  • dodecassílabos (ou alexandrinos)

b) Heterométricos: são os versos de diferentes medidas, usados em um mesmo poema.

c) Versos livres: são aqueles que não obedecem a nenhum esquema.

 

 

Rima

A rima é um dos elementos do verso, mas não é essencial ou obrigatório. É apenas uma opção do autor para criar um vínculo de "melodia" e acentuar o final de um verso. Este recurso passou a ser usado na Idade Média pelos trovadores. Atualmente, existem composições poéticas onde as rimas não são usadas, que recebem o nome de Poesia Branca ou Poesia Solta.

As rimas são classificadas quanto à disposição nas estrofes, e de acordo com as classes gramaticais que a compõem. Veja alguns exemplos.

1 - Quanto à posição:

Emparelhada (ligando versos seguidos).

 

   A

    A

    B

    B

 

Cruzada (versos rimados se alternam).

 

    A               A

    B       ou      B

    C               A

    B               B

 

Abraçada (ligando dois versos iguais e dois diferentes).

 

    A               A              C

    B        ou      A        e      C

    B               A              C

    A               B              B

 

Interpolada (liga o primeiro e último verso, quando existem três ou mais entre as ligações).

 

    A                A

    B                B 

    B        ou       C

    B                D

    A                A

 

Seguida (liga dois ou mais versos sucessivos).

 

    A                B 

    B        ou       B

    B                A

 

 

2 - Quanto ao valor:

Pobre – Formada por palavras da mesma classe gramatical.

Existe   (verbo)

Teimoso   (adjetivo)

Aviste   (verbo)

Amoroso   (adjetivo)

Rica – Formada por palavras de classes gramaticais diferentes.

Espero   (verbo)

Vida   (substantivo)

Sincero   (adjetivo)

Querida   (adjetivo)

Rara - Formada por palavras de pouca rima, difíceis de se encontrar.

Cisne   (adjetivo)

Bosque   (substantivo)

Tisne   (verbo ou substantivo)

Quiosque   (substantivo)

Preciosa – Formada por artifícios gramaticais, ou junção de palavras.

Amá-la

Tranqüilo

De gala

Por certo fi-lo

Imperfeitas – Formada por palavras homógrafas (escrita igual ou semelhante, e significado diferente) e homofônicas (pronúncia igual ou semelhante).

Estrela   (Homógrafa)

Vejo   (Homofônica)

Vê-la   (Homógrafa)

Beijo   (Homofônica)

 

Fonte: https://www.spectrumgothic.com.br/literatura/elementos.htm. Acesso em 13/09/2020 às 12:21h.

Friday, 11 September 2020

Introdução marcante do Mestre Álvares de Azevedo

"São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor. É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço. Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias. São as páginas despedaçadas de um livro não lido...

E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus."

Diante da Lei - Franz Kafka

Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo chega a esse porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se então não pode entrar mais tarde.

-É possível - diz o porteiro - mas agora não.

Uma vez que a porta da lei continua como sempre aberta e o porteiro se põe de lado o homem se inclina para olhar o interior através da porta. Quando nota isso o porteiro ri e diz:

-Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala porém existem porteiros cada um mais poderoso que o outro. Nem mesmo eu posso suportar a simples visão do terceiro.

O homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele; agora, no entanto, ao examinar mais de perto o porteiro, com o seu casaco de pele, o grande nariz pontudo, a longa barba tártara, rala e preta, ele decide que é melhor aguardar até receber a permissão de entrada. O porteiro lhe dá um banquinho e deixa-o sentar-se ao lado da porta.

Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido e cansa o porteiro com os seus pedidos. Às vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra natal e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que os grandes senhores fazem, e para concluir repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar. O homem, que havia se equipado com muitas coisas para a viagem, emprega tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Com efeito, este aceita tudo, mas sempre dizendo:

-Eu só aceito para você não julgar que deixou de fazer alguma coisa.

Durante todos esses anos o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos amaldiçoa em voz alta e desconsiderada o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo. Torna-se infantil e uma vez que, por estudar o porteiro anos a fio, ficou conhecendo até as pulgas da sua gola de pele, pede a estas que o ajudem a fazê-lo mudar de opinião.

Finalmente sua vista enfraquece e ele não sabe se de fato está ficando mais escuro em torno ou se apenas os olhos o enganam. Não obstante reconhece agora no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. Mas já não tem mais muito tempo de vida. Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime, pois não pode mais endireitar o corpo enrijecido. O porteiro precisa curvar-se profundamente até ele, já que a diferença de altura mudou muito em detrimento do homem:

-O que é que você ainda quer saber? pergunta o porteiro. Você é insaciável.

-Todos aspiram à lei - diz o homem. Como se explica que em tantos anos ninguém além de mim pediu para entrar?

O porteiro percebe que o homem já está no fim e para ainda alcançar sua audição em declínio ele berra:

-Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a.


Franz Kafka (Praga, 3 de julho de 1883 - Klosterneuburg, 3 de junho de 1924) foi um escritor de língua alemã.

 "-E porventura não há meios de morrer sem dor?

-Imagine - parou ele diante de mim -, imagine uma pedra do tamanho de uma casa grande; ela está suspensa e você debaixo dela; se lhe cair em cima, na cabeça, sentirá dor?

-Uma pedra do tamanho de uma casa? Claro que dá medo.

-Não estou falando do medo; sentirá dor?

-Uma pedra do tamanho de uma montanha, milhoes de puds (medida antiga, correspondente a 16,3 kg. É claro que não há dor nenhuma.

-Mas se você realmente ficar debaixo, e enquanto ela estiver suspensa, vai ter muito medo de sentir dor. O primeiro cientista, o primeiro doutor, Todos sentirão medo. Cada um saberá que não sentirá dor e cada um terá muito medo de sentir dor.

- Bem, e a segunda causa, a grande?

- É o outro mundo.

- Ou seja, o castigo?

- Isso é indiferente. O outro mundo; só o outro mundo.

- Por acaso não há ateus que não acreditam absolutamente no outro mundo?

Tornou a calar-se.

-Você não estará julgando por si?

-Ninguém pode julgar senão por si mesmo - pronunciou ele enrubescendo - Haverá toda a liberdade quando for indiferente viver ou não viver. Eis o objetivo de tudo."


Trecho do romance Os Demônios de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski:


(Diálogo entre Kiríllov e o amigo de Stiepan Trofímovitch)

Sunday, 6 September 2020

" "Ὡς αἰεὶ τὸν ὁμοῖον ἄγει θεὸς ὡς τὸν ὁμοῖον. "

Ὀδύσσεια, XVII

"Sempre os deuses fazem cada qual se juntar a seu igual".

Saturday, 29 August 2020

A Órfã na Costura




Ela lhe ensinou a levantar suas mãos puras

e inocentes para o céu, a dirigir seus primeiros

olhares a seu Criador.

                     Flechier



Minha mãe era bonita,

Era toda a minha dita,

Era todo o meu amor.

Seu cabelo era tão louro,

Que nem uma fita de ouro

Tinha tamanho esplendor.



Suas madeixas lúcidas

Lhe caíam tão compridas,

Que vinham-lhe os pés beijar.

Quando ouvia as minhas queixas,

Em suas áureas madeixas

Ela vinha me embrulhar.



Também quando toda fria

A minha alma estremecia,

Quando ausente estava o sol,

Os seus cabelos compridos,

Como fios aquecidos,

Serviam-me de lençol.



Minha mãe era bonita,

Era toda a minha dita,

Era todo o meu amor.

Seus olhos eram suaves,

Como o gorjeio das aves

Sobre a choça do pastor.



Minha mãe era mui bela,

— Eu me lembro tanto dela,

De tudo quanto era seu!

Tenho em meu peito guardadas

Suas palavras sagradas

Co'os risos que ela me deu.



Os meus passos vacilantes

Foram por largos instantes,

Ensinados pêlos seus.

Os meus lábios mudos, quedos

Abertos pêlos seus dedos,

Pronunciaram-me: — Deus!



Mais tarde — quando acordava

Quando a aurora despontava,

Erguia-me sua mão.

Falando pela voz dela,

Eu repetia singela

Uma formosa oração.



Minha mãe era mui bela,

— Eu me lembro tanto dela,

De tudo quanto era seu l

Minha mãe era bonita,

Era toda a minha dita,

Era tudo e tudo meu.



Este pontos que eu imprimo,

Estas quadrinhas que eu rimo,

Foi ela que me ensinou.

As vozes que eu pronuncio,

Os cantos que eu balbucio,

Foi ela quem mos formou.



Minha mãe'. — diz-me esta vida,

Diz-me também esta lida,

Este retroz, esta lã.

Minha mãe! — diz-me este canto,

Minha mãel — diz-me este pranto,

— Tudo me diz: — minha mãe! —



Minha mãe era mui bela,

— Eu me lembro tanto dela,

De tudo quanto era seu!

Minha mãe era bonita,

Era toda a minha dita,

Era tudo e tudo meu.



Junqueira Freire

Sunday, 9 August 2020

Obras-Primas 1979

 1-Dom Quixote- Cervantes
2-Histórias Extraordinárias- Poe
3-As Ilusões Perdidas- Balzac
4-Memórias Póstumas De Braz Cubas/ Dom Casmurro- Machado de Assis
5-O Falecido Mattia Pascal/ Seis Personagens à Procura de um Autor- Pirandello
6-Odisséia- Homero
7-As Aventuras do Sr. Pickwick- Dickens
8-Romeu e Julieta/Macbeth/Hamlet, Príncipe da Dinamarca/Otelo, O Mouro de Veneza- Shakespeare
9-As Alegres Comadres de Windsor/ Medida Por Medida/ O Sonho de Uma Noite de Verão/ O Mercador de Veneza/ A Megera Domada- Willian Shakespeare
10-Madame Bovary- Flaubert
11-Decamerão-Boccaccio
12-O Vermelho E O Negro- Stendhal
13-Germinal-Émile Zola
14-O Processo- Frank Kafka
15- Crime e Castigo Volume I- Dostoiévski
16- Crime e Castigo Volume II- Dostoiévski
17-A Idade da Razão- Jean Paul Sartre
18- As Três Irmãs/ Contos- Tchekhov
19-O Primo Basílio- Eça de Queirós
20-O Morro dos Ventos Uivantes- Emily Bronte
21-Estado de Sítio/ O Estrangeiro- Albert Camus
22-Os Lusíada- Luís de Camões
23-As Vinhas da Ira Volume I-John Steinbeck
24-As Vinhas da Ira Volume II-John Steinbeck
25-Os Trabalhadores do Mar- Victor Hugo
26-O Leopardo- Lampedusa
27- Almas Mortas- Nikolai Gógol
28- No Caminho de Swann- Marcel Proust
29-A Divina Comédia- Dante Alighieri
30- Tônio Kroeger/ A Morte em Veneza-Thomas Mann
31-Ana Karênina Volume I- Leon Tolstói
32- Ana Karênina Volume II- Leon Tolstói
33-Viagens de Gulliver- Jonathan Swift
34-Os Sertões- Euclides da Cunha
35-Pequenos Burgueses/ Mãe- Máximo Gorki
36-Contos- Voltaire
37- Mulheres Apaixonadas- D.H. Lawrence
38-O Tartufo/ Escola de Mulheres/ O Burguês Fidalgo- Molière
39-1919- John dos Passos
40-Admirável Mundo Novo- Aldous Huxley
41- Um bonde chamado desejo/ A morte do caixeiro viajante- Tennesse Willians
42-Prometeu Acorrentado- Ésquilo/ Édipo Rei- Sófocles/ Medéia- Eurípides
43-Babbitt- Sinclair Lewis
44-O Sol também Se Levanta- Ernest Hemingway
45-Longa Jornada Noite Adentro- Eugene O'Neill
46-A Outra Volta do Parafuso/Lady Barberina-Henry James
47-Moby Dick Volume I- Herman Melville
48-Moby Dick VolumeII- Herman Melville
49-A Religiosa-Dennis Diderol
50-As Relações Perigosas-Choderlos de Laclos
51-Lord Jim- Joseph Conrad
52-Moll Flanders- Daniel Defoe
53- O Retrato do Dorian Gray- Oscar Wilde
54-Ulisses- James Joyce
55-Santuário- William Faulkner

Friday, 26 June 2020

Ἰλιάς

𝕬cabei de ler Ilíada, do poeta grego Homero. Que livro! Acho que o melhor livro que li na minha vida até o momento!

Deu-me até sentir saudade dos personagens do poema, personagens com as quais tenho convivido diariamente deste final de abril. Devo admitir que tentei ler a narrativa de uma forma neutra com o intuito de entender os fatos e personagens de forma crua, sem tomar partido. Entretanto, acabei ficando fascinado pelos personagens Troianos, principalmente o rei Príamos, Hector e Andromáche.

O relato das batalhas, dos personagens e o encadeamento das ações é fascinante. Comoveu-me profundamente o adeus de Hector a Andromáche e a seu filho Astyanax; os discursos pesados de dor da esposa de Hector e a cena final no Canto XXIV. São passagens poderosas e marcantes da narrativa das quais nunca me esquecerei. A personagem Andromáche é plena em intensidade dramática e poética!

Já do lado dos gregos, comecei com um certo pendor por eles, mas já alguns Cantos depois minha afeição diminuiu. Achilleus, personagem cuja cólera o poeta canta, não é nada do que pensei: é um guerreiro presunçoso, cruel, desumano, bestial, selvagem, ególatra, escravizador de mulheres, egoísta, sedento por sangue. Páris pelo menos serviu para alguma coisa e lhe acertou posteriormente uma flecha no calcanhar, com ajuda de Apollon, e vingou seu irmão.


Wednesday, 24 June 2020

Excertos da obra De Officiis(Tomo I)

"Mantemos a honestidade e o decoro na vida quando sabemos impor certa moderação e ordem em tudo que a compõe." Cap. IV

"Devemos nos precaver de dois vícios. Primeiro, o de tomar por já sabido o desconhecido.(...) O outro vício consiste em dedicar excessivo empenho, pugnando por coisas obscuras e dificultosas, quando desnecessárias. Uma vez descartados tais vícios, então direcionar o esforço e o cuidado em conhecer coisas honestas e dignas." Cap. V

"O primeiro dever da justiça edita não prejudicar a ninguém, salvante o caso de provocação injuriosa. Depois manda usar das coisas coletivas como comuns e as particulares como próprias." Cap. VI

"Investe contra o direito da sociedade humana quem ambiciona possuir em demasia." Cap. VI

"Como Platão escreveu, de modo egrégio, não nascemos apenas para nós, mas de nossa vida a pátria reivindica uma parte, sendo que a outra parte cabe aos nossos amigos e, como gostam de falar os estoicos, tudo quanto se produz, neste mundo, destina-se ao uso dos seres humanos, já que os homens, por sua vez, foram gerados em razão de seus semelhantes de modo a poderem uns auxiliar os outros." Cap. VI

"Há duas espécies de injustiça. A primeira consiste na prática do mal. A segunda, quando, embora havendo condições, não é revidada a ofensa recebida.(...) Quem não se opõe nem rechassa a injúria, desde que a seu alcance, descamba para a mesma culpa de quem desampara pais, amigos e pátria." Cap. VII  

"Quem, de modo injusto, acomete contra seu semelhante, incitado por ira ou por qualquer outra perturbação, está a desferir golpes contra seu parceiro de convívio social." Cap. VII

"É então necessário remontar àqueles dois fundamentos da justiça, acima mencionados: primeiro, não causar prejuízo a ninguém; depois servir ao bem comum." Cap. X 

"Não devem ser cumpridas aquelas promessas que possam ser nocivas para aquele a quem tenhas prometido." Cap. X

"Não há quem não veja que promessas formuladas sob intimidação ou falsas pretensões não devem ser cumpridas." Cap. X

"Penso ser suficiente que o ofensor arrependa-se do seu ato injusto e não reincida." Cap. X

"Justifica-se fazer guerra pela razão acima referida, isto é, para afastar agressões e estabelecer a paz." Cap. XI

"De todas as injustiças, a mais repulsiva é aquela das falsários que quanto mais enganam tanto mais ocultam para simular e parecer gente de bem." Cap. XIII

"Que a liberalidade não seja maior do que as posses e que tenha proporção com o mérito de cada um." Cap. XIV

"Que a generosidade não exceda as posses." Cap. XIV

"Dá na vista ainda que muitos, generosos menos por temperamento e mais porque aliciados pela vaidade de aparecerem beneficentes, fazem coisas que claramente procedem não da vontade correta e sim da pura ostentação. Ora, tal simulação reflete mais a face do vaidoso do que a do liberal ou honesto.

A terceira precaução é que, no ato de beneficiar, exista critério de mérito. Então devem ser separados os costumes do beneficiário, seus sentimentos em relação ao benfeitor a par de uma vida em comunidade e na sociedade mais ampla como ainda os serviços prestados a todos nós." Cap. XIV

"Nada que é carente de justiça pode ser honesto." Cap. XX

"Os indivíduos fortes e magnânimos devem ser bons, simples, amigos da verdade e nada enganadores." Cap. XX

"Nada revela o tamanho da mesquinhez como o apego às riquezas. De outro lado, é sinal evidente de dignidade e de honradez desprezar as riquezas, quando não as possuímos, mas, possuindo-as, então saber reparti-las, com liberalidade, para fins beneficentes.

Seja, outrossim, evitada a cupidez da glória, como, aliás, acima já advertimos. Isso tolhe a liberdade, e os indivíduos magnânimos devem preservá-la a qualquer preço e custo." Cap. XXI

"O corpo deve ser exercitado e disposto de tal modo que se submeta aos ditames da razão e assim desempenhe suas atividades e suporte as fadigas do trabalho." Cap. XXIII

"Verdadeiramente forte e constante é quem não se perturba em meio às asperezas da vida nem se abate ante o fracasso (...) mas, mantendo o autodomínio e a deliberação, jamais se afaste da razão." Cap. XXIII

"É forçoso encarar a luta e preferir a morte à escravidão e à desonra." Cap. XXIII

"Em caso de fuga ante o perigo, jamais poderíamos agir de maneira que configurasse covardia ou pulsilaminidade. De outro lado,  expor-se, sem cuidado, ao perigo, nada mais imbecil. No enfrentamento de perigo seja imitada a prática dos médicos. Eles aplicam medicamentos brandos em enfermidades leves, mas, quando são doenças graves, são coagidos a recorrerem a tratamentos perigosos e incertos." Cap. XXIV

"Eis que almejar tormenta feroz quando reina tranquilidade é mesmo desatino." Cap. XXIV

"Há aqueles que, com receio da inveja, não ousam manifestar-se, embora portadores de contribuição excelente." Cap. XXIV

"É de absoluta necessidade que as pessoas que vão gerir a o governo da República atenham-se a estes dois preceitos de Platão: primeiro, que o bem dos cidadãos deve ser tutelado de modo que tudo quanto for feito seja direcionado para tal finalidade mesmo com sacrifício de vantagens próprias. Segundo, zelar pelo inteiro corpo do Estado e não só por uma parte com preterição dos demais. Por isso, a tutela da administração deve ser para a utilidade dos governados e não do governante. Quem atende uma parte dos cidadãos, deixando a outra sem assistência, injeta no corpo social algo de muito pernicioso, fomentando discórdia e divisão." Cap. XXV

"Quem for cidadão responsável, forte e digno de estar à frente do governo, deve então odiar e afugentar tudo isso, consagrando-se por inteiro ao bem público sem ao encalço de riqueza e de poder, mas disso tudo far-se-á guardião a fim de promover o bem comum." Cap. XXV

"De todo detestável qualquer contenda por ambição de honrarias." Cap. XXV

"Não merece ser ouvido quem apregoa que o homem forte e magnânimo deve votar ódio ao inimigo, já que nada mais louvável e revelador de um caráter de portentosa nobreza do que a mansidão unida  à clemência." Cap. XXV

Sunday, 21 June 2020

Remorso Póstumo, Charles Baudelaire



Quando fores dormir, ó bela tenebrosa
em fundo de uma cripta em mármore lavrada
quando tiveres só por alcova e morada
o vazio abismal de carneira chuvosa;

quando a pedra, a oprimir tua fronte medrosa
e teus flancos a arfar de exaustão encantada,
mudar teu coração numa furna calada
amarrando-te os pés na rota aventurosa,

a tumba, confidente do sonho infinito
(pois toda a vida a tumba há de entender o poeta),
pela noite imortal de que o sono é prescrito,

te dirá: "De que serve, hetaira incompleta,
não teres conhecido o que choram os mortos?"
E os vermes te roerão assim como os remorsos.

Uma passagem de Anna Karenina

"-O meu pecado principal é a dúvida. Duvido de tudo, e, a maior parte do tempo, é a dúvida que me persegue.

-A dúvida é própria da fraqueza humana - repetiu o sacerdote- De que duvida principalmente?

-De tudo. Às vezes até da existência de Deus - disse Lievin, quase malgrado seu."

TOLSTOI, Lev. Anna Karenina. Sexta Parte. Capítulo I.

Thursday, 11 June 2020

Excertos de Eneida

"Bani o medo do coração, ó Troianos!" Livro I

"Filho de uma deusa, que pensamento se eleva agora da tua alma"? Livro I

Wednesday, 10 June 2020

Para Gabriela



As nuvens passam nos céus
O outono parece não acabar
Desde que ela deixou os sonhos seus
Sem ao menos um adeus me dar!

A fina flor da juventude se desvaneceu
Suas pétalas desabaram
Tão linda e jovem pereceu
Deixando tristes os corações dos que a amaram!

Todos os sonhos acabaram naquela avenida
Amores, alegrias e ilusões
Tudo deixou de existir com sua eterna ida!

Mas o que Deus pretendeu?
Se a ela não lhe perdoou
Nem mesmo a divina beleza que lhe concedeu?

Monday, 1 June 2020

"Considerate la vostra semenza:
fatti non foste a viver come bruti,
ma per seguir virtute e canoscenza."

Canto XXVI, lines 118–120.

Fuimus Troes, fuit Ilium.


Painting by Johann Georg Trautmann (1713–1769). From Wikipedia.

Sunday, 31 May 2020

Completei a coleção Obras Primas da editora Nova Cultural!


Coleção Obras Primas da Editora Nova Cultural, lançada originalmente em 2001, completa!

A coleção foi iniciada por minha Mãe no ano de 2001 e completada por mim em 2020. São 50 títulos originais, mais dois títulos extras e dois volumes de biografias.

Ainda me lembro quando minha Mãe chegou a nossa casa com um exemplar de um livro vermelho em mãos: era a primeira edição da coleção, a de Dom Quixote! A beleza da obra e o dourado dos arabescos da capa me encheram os olhos! Que dias felizes foram aqueles!

Dedico a minha nobre e saudosa Mãe esta valorosa coleção de obras primas da literatura universal!

Aphorismus 341

se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” – Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!”.

Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

Nietzsche,  Die Fröhliche Wissenschaft, aforismo 341

Thursday, 28 May 2020

Os Mitos da Igualdade, da Democracia e do Respeito Popular à Ética

Quando participei de um seminário que discutia sobre os desafios da gestão pública no século XXI, um dos palestrantes declarou, ao discursar sobre ética, que a administração pública deveria refletir os valores morais da população. De início, discordei de tal afirmação decididamente, pois acreditava que os líderes públicos seriam pessoas escolhidas dentre as demais por serem portadoras de determinadas características e de valores morais superiores ao usual, obtendo em troca disso reconhecimento e admiração da sociedade. Dentro dessa lógica, as pessoas escolheriam seus líderes não por que eles refletem o que elas pensam, mas sim por que teriam muitas coisas boas a aprender com eles. Os seres humanos não adoram a Deus por que Ele reflete o que eles são, mas sim por que Deus está infinitos graus acima em termos de sabedoria, amor, bondade etc do que qualquer uma de suas criaturas. Procurar sempre o que é melhor e superior deveria ser a práctica mais corriqueira para um desenvolvimento geral positivo do indivíduo.

Entretanto, com o passar do tempo, tendi a concordar com a afirmação do palestrante. Se temos uma administração pública ineficiente e corrupta e se nossos líderes são a encarnação mais torpe do anti-herói, isso tudo nada mais é que um reflexo do que é o povo que os elegeu. A democracia, ao colocar toda a responsabilidade e poder nas mãos do sine nomine vulgus, cria a ilusão de que o demos (povo) é imaculado, puro, casto e totalmente isento de erros. O povo seria a materialização do Sumo Bem, e todas suas ações seriam justificadas com base nisso. Isso é uma enganação que ganhou força desde, pelo menos, a época da Revolução Francesa, que contestou e desprezou a instituição da Hierarquia e da Autoridade, seja ela a de Deus ou a da Ordem Aristocrática. O próprio lema revolucionário – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – é contraditório per se, pois a liberdade necessita da desigualdade para se concretizar na vida práctica, livre das normas impositivas e estáticas da igualdade -  a qual só existiria através do uso da violência, da imposição, visto que ela é antinatural pelo fato de os homens serem desiguais  em essência, aptidões e intelecto. E sem liberdade não poderia haver, por fim, uma relação fraterna entre os homens. Em sua encíclica Divini Redemptoris, Papa Pius XI afirma que as propostas desse liberalismo revolucionário francês abriram as portas para demandas cada vez mais radicais de um inimigo mais poderoso: o comunismo.

O poder ilimitado do povo numa democracia parece justificar-se também em dois erros lógicos de argumentação, a saber, as falácias ad populum e ad numeram. Elas dizem, grosso modo, que uma afirmação é tão mais verdadeira quanto mais pessoas afirmam que ela o é. O conceito de verdade estaria condicionado à autoridade da quantidade. Se o povo diz que um certo  governante, apesar de ser corrupto e parlapatão, é o mais indicado a administrar uma nação, então teríamos todos de aceitá-lo. Quem, pois, teria a bravura necessária para, neste caso, fazer face á opinião massificada e contestá-la, sob a condição de ser xingado porventura de fascista  e de ser condenado ao isolamento?

O povo não se importa com a ética dos nossos administradores e líderes públicos, porque eles próprios não têm um comportamento moral exemplar a oferecer. São tão corruptos e imersos no vício quanto seus dirigentes. Os mais famigerados escândalos de corrupção como o mensalão, a máfia dos sanguessugas, a fabricação de dossiês, a criação do Foro de São Paulo que congrega diversos partidos comunistas da América Latina e cujas atas documentam relações explícitas de apoio do PT à narcoguerrilha das FARC não impediram a reeleição de Lula como Presidente da República. Tampouco as recentes denúncias de quebra de sigilo fiscal de vários integrantes de um partido de oposição e a demissão da ex-ministra da Casa Civil por tráfico de influência tiraram pontos percentuais da candidata governista nas pesquisas de intenção de votos. E o que tais factos nos revelam? Eles nos revelam que o povo está destituído de discernimento e de caráter a tal ponto que, embriagado pela propaganda governista e acorrentado ao assistencialismo lulista, perdeu o sentimento de indignação e de mal-estar diante dos atos mais abjetos que seus próprios governantes possam practicar contra a sociedade e a família. Se Lula, imitando o imperador romano Calígula, quisesse também nomear seu animal de estimação para algum cargo público, tal ato seria considerado como absolutamente normal e digno de louvor pela opinião pública a qual, aliás, Lula se autoproclama representante exclusivo , assim como Stalin, Mão Tse Tung e outros grandes dictadores costumavam se ver.

A única maneira de reverter tal conjuntura seria destruir o mito romântico da igualdade e recuperar o respeito ao conhecimento, à hierarquia social e aos valores morais do Cristianismo, bases da Cultura Ocidental e fatores valiosos para a edificação de uma civilização no Brasil. Sem isso feito, o próprio Ocidente se põe em perigo em face do crescimento maciço do movimento comunista que, radicalizando as propostas da revolução liberal de 1789 em França, procura pulverizar por quaisquer meios todo aquele que se oponha à sua tomada do poder político.  Aristóteles afirmou no livro Política quehá na espécie humana indivíduos tão inferiores a outros como o corpo o é em relação à alma ou a fera ao homem; são os homens nos quais o emprego da força física é o melhor que deles se obtém. Partindo dos nossos princípios, tais indivíduos são destinados por natureza à escravidão, porque, para eles, nada é mais fácil de obedecer”. Temos de admitir, por fim, que Aristóteles fez uma análise correta da condição humana e que, ao invés de encararmos o mundo como de facto ele é, preferimos viver num sonho cândido que se mostrará em seguida um pesadelo tão logo as cortinas do palco se cerrem, e as trevas se dissipem.

Escrito originalmente por volta do mês de outubro do ano de 2010 AD.

O que penso do Keynesianismo

Já é fato mais que notório que o Estado brasileiro é um dos Estados que mais cobram impostos no mundo.A carga tributária é altíssima, as pessoas trabalham mais da metade do ano só para pagarem impostos e, o que é ainda pior, são obrigadas a ver seu suado dinheiro, acumulado a custo de tantas dificuldades, ser empregado no financiamento de serviços e de bens públicos cada vez de menos qualidade ou serem desviados para contas bancárias de pessoas que ocupam altos cargos governamentais e de seus correligionários políticos. Muitos dizem que a alta carga tributária brasileira é conseqüência de incompetência administrativa. Ela não é só conseqüência disso como também da existência de um Estado forte e interventor que possui uma longa tradição histórica no Brasil e que se arroga o direito de ser o impulsionador exclus ivo do desenvolvimento pátrio, sem antes provar aos seus contribuintes e a si mesmo que tem a capacidade de lhes oferecer serviços básicos e essenciais com o mínimo de qualidade e eficiência. O setor público é tão desacreditado e pífio que nem aqueles que mais defendem e propagandeiam sua suposta excelência – os nossos representantes políticos como o Presidente socialista Luís Ignácio, por exemplo – têm coragem de fazer uso explícito e ostensivo deles, preferindo matricular seus filhos em instituições de ensino privadas e recorrer a hospitais particulares sempre que sentem o menor resfriado.

Ao contrário do que os apóstolos do pensamento único querem nos impor, o Estado interventor do credo keynesiano constitui-se, na prática, por estabelecer as sementes para a construção de um Estado totalitário: o Governo começa intervindo aqui e ali e, com o passar do tempo, se torna forte o suficiente para intervir onde quiser e sem prestar satisfação à sociedade.E todos sabemos que, com um Estado super-poderoso e com um líder carismático semidivino, a população acaba por ficar refém de seus ditames e de seus serviços, não podendo reclamar e acabam por se consolidar e institucionalizar as práticas maléficas do clientelismo, do paternalismo, da compra de votos nos currais eleitorais, do nepotismo com o emprego de familiares em cargos estatais, da falta de transparência na divulgação dos gastos públicos, da corrupção generalizada, da exploração de trabalhadores e empresários pelo Governo através da alta cobrança de tributos que dificultam os investimentos particulares e a criação de empregos etc.

O resultado da receita keynesiana é a construção e consolidação de um Estado faraônico que transforma a grande maioria da população em meros funcionários públicos e a estagnação econômica, já que, não havendo competição e o dinamismo que impulsionam o desenvolvimento como oco rre em economias liberais, o Estado interventor não se preocupa em oferecer serviços de qualidade e inovadores, o que poderia ser forçado nessa conjuntura através de manifestações populares – problema este que, numa economia capitalista liberal, se resolve somente indo comprar em outro lugar- se o povo não estivesse submetido ao Governo de forma tão bruta.

O Estado keynesiano é por essência autoritário e monopolizador, pois considera que apenas o mercado possui falhas, sem ter parado antes para pensar que o Governo também é inclinado a falhas e erros que são até maiores e mais prejudiciais a toda uma população que trabalha arduamente para financiar o sustento daqueles que vivem de cargos públicos e que fomentam a ignorância para manter seu “status quo”.

Texto originalmente escrito por volta do mês de agosto de 2010.

UNE: Um Câncer dentro das Universidades

Comumente, no Brasil, se costuma culpa o Governo em seus vários âmbitos pela falência que o ensino nacional tem passado desde há muito tempo. Presidentes, Governadores, Prefeitos, Vereadores e Professores são todos apontados culpados primariamente pela inexistência de um ensino decente e de qualidade por vários setores da sociedade civil que não consegue enxergar-se a si próprios como também detentores de uma parcela de culpa pelo problema,pois são estes quem colocam determinados políticos no poder que por sua vez determinam quais tipos de professores as universidades devem formar e que tipo de educação (se boa ou ruim) seus eleitores devem ter acesso.

Dentre os diversos setores da sociedade civil, gostaria de destacar aqui o da classe dos estudantes universitários, cujo centro aglutinador de atuação política e mais famoso por suas lutas é a União Nacional dos Estudantes (UNE). Sei que há também outras organizações estudantis atuantes e espalhadas pelo Brasil afora, porém ressalto a UNE por ser a mais antiga e politicamente poderosa dentre todas elas.

A UNE foi criada no final da década de 1930 aspirando a tornar-se uma organização que representasse todos os estudantes do país para lutar por seus interesses e por uma melhor educação oferecida ao povo. Cabe neste momento analisar dois pontos: 1)A legitimidade intelectual e consequentemente política para se criar um movimento formado em sua grande parte por jovens oriundos do final da adolescência e começando a amadurecer para a vida adulta; e 2)O caráter político estritamente comunista e falsamente neutro da tal União Nacional dos Estudantes.

O jovem se caracteriza por estar num período da existência marcado primordialmente pela experiência do aprendizado e pela vivência de muitas incertezas e conflitos. Ele ainda não possui valores sólidos e fixos os quais lhe possam servir como guia seguro pela imensa caminhada que há pela frente e ainda está muito longe de ter construído uma base intelectual ampla e variada a qual é necessária para começar a entender qual é o seu papel diante do mundo na sua vivência em sociedade e o que ele significa para si mesmo. Entendido isso, torna-se fácil entender que, dentre todos os estratos da população, os jovens são aquela camada mais vulnerável de ser manipulada por grupos políticos, meios de comunicação de massas, tribos urbanas etc e que somente pelo fato de estarem numa fase de incertezas e de aprendizados constantes para uma boa vivência coletiva, qualquer movimento de caráter político que tenha majoritariamente em sua base de apoio e de ação jovens e adolescentes não possui a mínima legitimidade política e muito menos intelectual, já que este ainda lhes está em formação.

Já a UNE, maior órgão político “estudantil” que se autodenomina “a entidade máxima de representação dos estudantes universitários”, desde sua fundação em 1937, se constitui primordialmente e acima de tudo como uma organização política que luta pelo comunismo, pela construção de um Estado operário e que busca atingir seus objetivos não somente através de manifestações violentas como a ocupação de reitorias e de universidades , como também pelo apoio de uma formação ideológica marxista nos meios educacionais objetivando o suprimento e o aumento contínuos de cada vez mais jovens em suas fileiras e a formação de condições materiais para uma possível revolução social. Não pensem os leitores que estou a fantasiar. Em seu próprio sítio eletrônico, a UNE admite que “de fato, é inegável a proximidade, inclusive histórica, com os chamados setores progressistas (leia-se “comunistas”) da sociedade brasileira” e que “se adotarmos a definição clássica do sociólogo Norberto Bobbio, em que ser de esquerda é lutar pela igualdade, a UNE é, sim, de esquerda”. De fato, a maioria de seus presidentes (se não todos) foram ou são filiados ao Partido Comunista do Brasil(PCdoB).

Em outro lugar de seu site, a UNE afirma que seu objetivo central é “a luta pela educação pública, gratuita e de qualidade”. O problema dessa afirmação não estaria somente no fato de ela ser inteiramente falsa, como também por ela atuar em prol de justamente o contrário: pela ausência de educação e pela destruição da sociedade.E a própria UNE nos fornece as provas.Ao invés de lutar pela melhoria de qualidade educacional nas instituições de ensino no Brasil, a UNE prefere apoiar e organizar campanhas em favor do aborto e do suposto direito que confere liberdade às mulheres para ter relações sexuais com o máximo de parceiros que lhes aprazer e que, caso venham a engravidar, o Estado lhes conceda o direito de assassinar seu futuro bebê sem qualquer condenação jurídica ,penal ou moral por isso. A ex-presidente da UNE e musa diabólica da juventude proletária, Lúcia Stumpf, afirmou ao jornal Folha de São Paulo que "estamos organizando uma grande campanha nas universidades sobre a necessidade de descriminalizar o aborto no Brasil. A UNE tem de fazer uma discussão sobre isso porque é uma realidade que a gente vive”. Ao invés de lutar pela formação de professores plenamente alfabetizados e capacitados realmente para o ensino, a UNE escolheu apoiar paradas do orgulho gay em diversos lugares do Brasil e lutar por mais direitos para os homossexuais, contribuindo decididamente para a destruição da família e do sagrado matrimônio entre homem e mulher. Novamente segundo Lúcia Stumpf, a Czarina Vermelha, “a nossa luta não é só combate à homofobia, mas também pela legalização da união civil de homossexuais e pela autorização para adoção”. E, finalmente, para coroar o completo poço de lama e esterco no qual a UNE se afunda cada vez mais, esta chegou ao absurdo de apoiar o consumo e a legalização do uso da maconha. Num artigo intitulado “O Lugar da Esquerda é na Marcha da Maconha”, escrito por Ronaldo Pinto Junior, Diretor de Assistência Estudantil da UNE, este “ser” afirma que “diversos Movimentos Sociais e partidos de esquerda aprovaram resoluções sobre a legalização da Maconha, principalmente levando em consideração o acúmulo que movimentos como a marcha mundial da maconha produziu no ultimo período. Chegou à hora de mostrar que a luta se constrói na prática. Confira a agenda de mobilizações da Marcha da Maconha, pegue sua bandeira, sua faixa e ocupe as ruas das principais capitais do País para defender a liberdade de expressão e a legalização da maconha. Libertem as plantas!”.

Só esses fatos bastam para que se compreenda que a UNE não luta e nem nunca lutou por uma “educação pública, gratuita e de qualidade” e muito menos que ela tenha a capacidade de representar qualquer estudante universitário deste país. Além de receber verbas do Governo Federal do PT, de ter grande parte de seus presidentes filiados ao PCdoB e de assumir um total compromisso com o projeto político marxista, a UNE entende que, para se ter acesso a uma “educação pública, gratuita e de qualidade”, se faça necessário primeiramente lutar pela legalização do aborto, pelo livre consumo da maconha ( pode ser que ela venha a defender o uso de outras drogas mais à frente), pelo direito antinatural de união civil e de adoção de crianças por casais de pederastas,lésbicas,travestis etc. O objetivo da UNE , é claro, não tem nada a ver com educação, mas sim com um amplo projeto de desmoralização e desestabilização política da sociedade brasileira. Iuri Bezmenov, ex-agente da KGB soviética e que já trabalhou para a agência estatal de notícias Novosti, disse que são somente quatro os estágios necessários para que uma nação seja destruída por grupos político-ideológicos subversivos: desmoralização, desestabilização, crise e normalização.

O simples fato de existirem, dentro de uma sociedade democrática, organizações políticas que banalizam e tornam vazia de significado a palavra protesto e que lutam por construir uma sociedade socialista totalitária de partido único como a de Cuba e a da Coreia do Norte, já é um completo crime e um desrespeito a todos aqueles que trabalham e que cumprem as leis neste país. Desacreditada e cada vez mais imersa em lama e escândalos, a UNE não tem mais qualquer condição moral para se autodenominar “entidade máxima de representação dos estudantes universitários”. É preciso que surjam na sociedade civil de forma urgente novas organizações de pessoas maduras e capacitadas que efetivamente estejam compromissadas a tentar resolver os problemas que os estudantes encontram no sistema educacional hodierno e que , acima de tudo, sejam no mínimo apartidárias e que não tentem transformar as pessoas em meros militantes simplórios de ideologias políticas utópicas e maléficas.

O lugar da esquerda não é na marcha da maconha, como alguém já o afirmou, mas no fundo do vaso sanitário.

Só não esqueçamos de puxar bem a descarga.

Texto escrito originalmente por volta do mês de maio de 2010 AD.