"Mantemos a honestidade e o decoro na vida quando sabemos impor certa moderação e ordem em tudo que a compõe." Cap. IV
"Devemos nos precaver de dois vícios. Primeiro, o de tomar por já sabido o desconhecido.(...) O outro vício consiste em dedicar excessivo empenho, pugnando por coisas obscuras e dificultosas, quando desnecessárias. Uma vez descartados tais vícios, então direcionar o esforço e o cuidado em conhecer coisas honestas e dignas." Cap. V
"O primeiro dever da justiça edita não prejudicar a ninguém, salvante o caso de provocação injuriosa. Depois manda usar das coisas coletivas como comuns e as particulares como próprias." Cap. VI
"Investe contra o direito da sociedade humana quem ambiciona possuir em demasia." Cap. VI
"Como Platão escreveu, de modo egrégio, não nascemos apenas para nós, mas de nossa vida a pátria reivindica uma parte, sendo que a outra parte cabe aos nossos amigos e, como gostam de falar os estoicos, tudo quanto se produz, neste mundo, destina-se ao uso dos seres humanos, já que os homens, por sua vez, foram gerados em razão de seus semelhantes de modo a poderem uns auxiliar os outros." Cap. VI
"Há duas espécies de injustiça. A primeira consiste na prática do mal. A segunda, quando, embora havendo condições, não é revidada a ofensa recebida.(...) Quem não se opõe nem rechassa a injúria, desde que a seu alcance, descamba para a mesma culpa de quem desampara pais, amigos e pátria." Cap. VII
"Quem, de modo injusto, acomete contra seu semelhante, incitado por ira ou por qualquer outra perturbação, está a desferir golpes contra seu parceiro de convívio social." Cap. VII
"É então necessário remontar àqueles dois fundamentos da justiça, acima mencionados: primeiro, não causar prejuízo a ninguém; depois servir ao bem comum." Cap. X
"Não devem ser cumpridas aquelas promessas que possam ser nocivas para aquele a quem tenhas prometido." Cap. X
"Não há quem não veja que promessas formuladas sob intimidação ou falsas pretensões não devem ser cumpridas." Cap. X
"Penso ser suficiente que o ofensor arrependa-se do seu ato injusto e não reincida." Cap. X
"Justifica-se fazer guerra pela razão acima referida, isto é, para afastar agressões e estabelecer a paz." Cap. XI
"De todas as injustiças, a mais repulsiva é aquela das falsários que quanto mais enganam tanto mais ocultam para simular e parecer gente de bem." Cap. XIII
"Que a liberalidade não seja maior do que as posses e que tenha proporção com o mérito de cada um." Cap. XIV
"Que a generosidade não exceda as posses." Cap. XIV
"Dá na vista ainda que muitos, generosos menos por temperamento e mais porque aliciados pela vaidade de aparecerem beneficentes, fazem coisas que claramente procedem não da vontade correta e sim da pura ostentação. Ora, tal simulação reflete mais a face do vaidoso do que a do liberal ou honesto.
A terceira precaução é que, no ato de beneficiar, exista critério de mérito. Então devem ser separados os costumes do beneficiário, seus sentimentos em relação ao benfeitor a par de uma vida em comunidade e na sociedade mais ampla como ainda os serviços prestados a todos nós." Cap. XIV
"Nada que é carente de justiça pode ser honesto." Cap. XX
"Os indivíduos fortes e magnânimos devem ser bons, simples, amigos da verdade e nada enganadores." Cap. XX
"Nada revela o tamanho da mesquinhez como o apego às riquezas. De outro lado, é sinal evidente de dignidade e de honradez desprezar as riquezas, quando não as possuímos, mas, possuindo-as, então saber reparti-las, com liberalidade, para fins beneficentes.
Seja, outrossim, evitada a cupidez da glória, como, aliás, acima já advertimos. Isso tolhe a liberdade, e os indivíduos magnânimos devem preservá-la a qualquer preço e custo." Cap. XXI
"O corpo deve ser exercitado e disposto de tal modo que se submeta aos ditames da razão e assim desempenhe suas atividades e suporte as fadigas do trabalho." Cap. XXIII
"Verdadeiramente forte e constante é quem não se perturba em meio às asperezas da vida nem se abate ante o fracasso (...) mas, mantendo o autodomínio e a deliberação, jamais se afaste da razão." Cap. XXIII
"É forçoso encarar a luta e preferir a morte à escravidão e à desonra." Cap. XXIII
"Em caso de fuga ante o perigo, jamais poderíamos agir de maneira que configurasse covardia ou pulsilaminidade. De outro lado, expor-se, sem cuidado, ao perigo, nada mais imbecil. No enfrentamento de perigo seja imitada a prática dos médicos. Eles aplicam medicamentos brandos em enfermidades leves, mas, quando são doenças graves, são coagidos a recorrerem a tratamentos perigosos e incertos." Cap. XXIV
"Eis que almejar tormenta feroz quando reina tranquilidade é mesmo desatino." Cap. XXIV
"Há aqueles que, com receio da inveja, não ousam manifestar-se, embora portadores de contribuição excelente." Cap. XXIV
"É de absoluta necessidade que as pessoas que vão gerir a o governo da República atenham-se a estes dois preceitos de Platão: primeiro, que o bem dos cidadãos deve ser tutelado de modo que tudo quanto for feito seja direcionado para tal finalidade mesmo com sacrifício de vantagens próprias. Segundo, zelar pelo inteiro corpo do Estado e não só por uma parte com preterição dos demais. Por isso, a tutela da administração deve ser para a utilidade dos governados e não do governante. Quem atende uma parte dos cidadãos, deixando a outra sem assistência, injeta no corpo social algo de muito pernicioso, fomentando discórdia e divisão." Cap. XXV
"Quem for cidadão responsável, forte e digno de estar à frente do governo, deve então odiar e afugentar tudo isso, consagrando-se por inteiro ao bem público sem ao encalço de riqueza e de poder, mas disso tudo far-se-á guardião a fim de promover o bem comum." Cap. XXV
"De todo detestável qualquer contenda por ambição de honrarias." Cap. XXV
"Não merece ser ouvido quem apregoa que o homem forte e magnânimo deve votar ódio ao inimigo, já que nada mais louvável e revelador de um caráter de portentosa nobreza do que a mansidão unida à clemência." Cap. XXV
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