"Seus versos admiram a quem os ouve, e tal é a suavidade da voz com que os canta, que encanta." Cervantes
Sunday, 11 November 2018
Nada
Não escolhi existir.
Não escolhi meu tempo.
Não escolhi meu lugar.
Não há motivo.
Não há porquê.
Não há comapanhia.
Não há comando.
Não há orgasmo.
Não há passeio.
Não há diversão.
Não há alegria.
Não há culpa.
Não há saber.
Não há loucos.
Não há os óculos.
Não há as roupas.
Não há os livros.
Não há a casa.
Não há você.
Não há ela.
NÃO HÁ NINGUÉM.
Hymno Nihilista
Eu nego os dias
Porque todos eles me são iguais
Eu nego as horas
Porque elas sempre passam
Eu nego a luz
Porque ela me chega aos olhos
Eu nego os homens
Porque eles pensam
Eu nego as crianças
Porque elas um dia crescerão
Eu nego aqueles que ainda não nasceram
Porque um dia hão de nascer
Eu nego a vida
Porque ela me foi dada arbitrariamente
Eu nego o absurdo
Porque ele faz parte da vida
Eu nego a morte
Porque ela é um mistério
Eu nego o tudo e o nada
E digo não à existência
Por que a ela, falta-lhe um sentido.
03/01/2008
Porque todos eles me são iguais
Eu nego as horas
Porque elas sempre passam
Eu nego a luz
Porque ela me chega aos olhos
Eu nego os homens
Porque eles pensam
Eu nego as crianças
Porque elas um dia crescerão
Eu nego aqueles que ainda não nasceram
Porque um dia hão de nascer
Eu nego a vida
Porque ela me foi dada arbitrariamente
Eu nego o absurdo
Porque ele faz parte da vida
Eu nego a morte
Porque ela é um mistério
Eu nego o tudo e o nada
E digo não à existência
Por que a ela, falta-lhe um sentido.
03/01/2008
Montada em seu alvo cavalo
Caminhando sobre a estreita via
Rodeada de relvas e flores
A linda donzela de cabelos dourados
A mim se aproxima.
Seu vestido azul-claro,celúreo
É iluminado pelos raios do sol
Seu sorriso divino e radiante
Desperta-me alegria e lux
Ela desce de seu cavalo
E se encaminha a mim
Atraente, toca minhas mãos e pergunta:
-Tu és feliz?
Não, linda donzela, não sabes o que dizes
Da felicidade nunca provei o sabor.
Como podê-lo-ei?
E a donzela, sem manter mais o doce sorriso nos lábios
Tirou suas mãos de sobre as minhas
E partiu sem dizer adeus.
Caminhando sobre a estreita via
Rodeada de relvas e flores
A linda donzela de cabelos dourados
A mim se aproxima.
Seu vestido azul-claro,celúreo
É iluminado pelos raios do sol
Seu sorriso divino e radiante
Desperta-me alegria e lux
Ela desce de seu cavalo
E se encaminha a mim
Atraente, toca minhas mãos e pergunta:
-Tu és feliz?
Não, linda donzela, não sabes o que dizes
Da felicidade nunca provei o sabor.
Como podê-lo-ei?
E a donzela, sem manter mais o doce sorriso nos lábios
Tirou suas mãos de sobre as minhas
E partiu sem dizer adeus.
Definição de Nihilismo
Páviel Pietróvitch deu de ombros.
-Não o compreendo. O senhor ofende o povo russo. Não sei como é possível negar os princípios, as normas. Em quê se baseia o senhor para se expressar assim?
-Já lho disse, meu tio, que nós não reconhecemos autoridades - interveio Arkádi.
-Nós agimos baseados na força do que reconhecemos úteis - disse Bazárov
-Na época atual, o mais útil é negar. Por isso negamos.
-Tudo?
-Tudo.
-Como? Não só a arte, a poesia... mas... é pavoroso dizê-lo...
-Tudo - com estupenda calma, repetiu Bazárov
TURGÊNIEV, Ivan. Pais e Filhos. Cap. X. Ed. Martin Claret.
A Cadeira
A cadeira da sala está vazia
Abandonada e sozinha
Espera por algum desconhecido
Por alguém que ela nunca viu
Quando esse alguém virá
Não se pode saber
Mas continua a esperar
Sem entender bem o que fazer
A chuva vem,o sol se põe
As estações mudam, e os anos passam
O que não muda é a espera infinita
Por esse alguém que nunca viu
E que talvez nem mesmo exista.
Tædium Vitæ
Na mesa
Na casa
Na cozinha
Na TV
No feijão
No parto
No lixo
No vaso
Na rua
Na lua
A mesma paz
A mesma sina.
Ventos d'Outomno
"My days are in yellow leaf
The flowers and fruits of love are gone."
Byron
Byron
Os ventos d'outomno, soturnos
Encontram-me à noite ao leito,
E sou tomado por fortes calafrios,
Noturnos.
Aproximam-se de lembranças cheios,
De antigas ilusões e tristes amores
Dos quais há muito tento fugir,
Sem meios.
As folhas amarelecem e caem
Assim como os velhos sentimentos
De tempos d'outrora que do meu coração
Não saem.
Quando ela ao meu lado vivia,
Desabrochava ainda a flor da vida
E d'amores suspirava aos meus braços:
Nenhuma melancolia!
E logo a primavera dos sonhos findou.
Mórbidas e tristes são as flores
Que caem sobre a lápide onde um dia ela
Ardentemente me amou!
Fechou-lhe os olhos o eterno sono.
Desvaneceu-se da vida o encanto
Juntamente com as tristes folhas levadas
Pelos ventos d'automno.
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