Thursday, 9 April 2020

Sobre o Onanismo


 "Até os 19 eu tocava punheta várias vezes por dia e me sentia super bem. Depois passei a sentir culpa após o ato masturbatório. Desde então, a masturbação se tornou mil vezes mais prazerosa. Masturbação só é boa quando, logo em seguida a ela, você olha para si mesmo e se vê como um homem adulto todo melado, cansado, fraco, com o membro murcho e impotente... Você se vê como um inútil, idiota e solitário.. Um completo loser. Daí você chora um pouquinho para se sentir um pouco melhor. Você pensa: -Estou aqui desperdiçando minha porra enquanto alguém está comendo a Natalie Portman... Enquanto alguém está tocando a epiderme lisa e delgada de uma mulher, sentindo as formas de seu corpo curvilíneo, sentindo o cheiro de seus longos cabelos, o perfume, a quentura das partes íntimas, o calor que sai de sua boca quando ela geme etc etc.

Pensando assim, você constata o quanto está mal. E, da próxima vez que se masturbar, tratará de aproveitar com muito mais intensidade o orgasmo, pois saberá que logo após ele, virá aquela sensação terrível de rejeição e fracasso. Assim, as masturbações tornar-se-ão mais deliciosas.

Agora eu só tenho de arrumar algum jeito de sentir culpa também após a relação sexual. Pois eu ainda não consigo sentir culpa após a mesma... Mas quero sentir, para melhor aproveitá-la. A sensação de estar fazendo algo errado e proibido é arrebatadora."


Autoria: Bruno Bonfante

Postado numa comunidade do Orkut(antiga rede social virtual da primeira década do século XXI, muito popular no Brasil de então) há muito tempo atrás.

Sobre a Escola

"A escola não me ensinou quase nada de importante. Tudo o que realmente importava eu aprendi sozinho, com os livros. Tenho um amigo que é inteligente pra caralho, cheio de habilidades técnicas(autodidata) e não consegue um bom emprego por não ter diplomas.

O mais engraçado é que as escolas no Brasil - refiro-me aqui às escolas comuns(públicas ou privadas de mensalidade baixa ou média), não às escolas para riquinhos -  chegam a ser alienantes. Não estou a exagerar. A escola está aí para te enganar de várias formas(para te alienar). Ensinar de verdade, ela não ensina, Escola no Brasil serve para quê? Não seria melhor comprar livros e estudar por conta própria em casa? Não aprenderíamos muitos mais? Para que serve diploma? Para que fazer faculdade se você pode aprender muito mais estudando sozinho? Babaquice.

Já podem desperdiçar seus preciosos tempos escrevendo "FODA-SE" ou "DANE-SE" abaixo."

Autoria: Bruno Bonfante

Postado numa comunidade do Orkut(antiga rede social virtual da primeira década do século XXI, muito popular no Brasil de então) há muito tempo atrás.

Tuesday, 1 January 2019

ENTRE NÓS, OS NIILISTAS.

─ Ele é niilista ─ repetiu Arcádio.

─ Niilista ─ disse Nicolau Pietróvitch ─ vem do latim, nihil, e significa “nada”, segundo eu sei. Quer dizer que essa palavra se refere ao homem que… em nada crê ou nada reconhece?

─ Pode dizer: o homem que nada respeita ─ explicou Páviel Pietróvitch, voltando novamente sua atenção para a manteiga.

─ Aquele que tudo examina do ponto de vista crítico ─ sugeriu Arcádio.

─ Não é a mesma coisa? ─ perguntou Páviel Pietróvitch.

─ Não, não é o mesmo. O niilista é o homem que não se curva perante nenhuma autoridade e que não admite como artigo de fé nenhum princípio, por maior respeito que mereça…

─ E isso está bem? ─ interrompeu Páviel Pietróvitch.

─ Depende, tio. Para alguns está bem e para outros não.

Fonte: TURGUENIEV, Ivan. Pais e Filhos. São Paulo: Abril Cultural, 1971, p.31-33 e 35-36

Monday, 12 November 2018

𝕴𝖓 𝕰𝖝𝖙𝖗𝖊𝖒𝖎𝖘

𝔇e minha pobre mãe no triste leito
Eu me encontrava
Levando sua mão ao meu peito
E dizendo-lhe que a amava.

Estava tão sombria e debilitada
Que de dor me ajoelhei
E vendo o olhar da genitora amada
Não posso negar...chorei!

Ao seu lado está meu pai.
Pobre infeliz!Digno de pena é deveras a dor
Que ele sente a fervilhar com ardor
Na alma e que nunca se esvai!

Mas por que logo a ela?
Por que o permitiu Deus,
Negligenciando os clamores meus,
Que lágrimas caíssem dos olhos dela?
A piedade divina lhe faltou!
Mas não os sonhos d'infância
Que substituíram a cruel ânsia
Do filho que ela mais amou!

Ai, minha mãe!

Quantos sonhos e ilusões perdidas!
Quantos caminhos a vagar sem certeza
Numa vida marcada por vindas e idas
Onde reina, soberana, a tristeza!

Contudo...que falei?
O que poderá substituir o sagrado norte
A cuja luz mais que a vida devotei
E que é extinguida a cada dia pela morte?

Palavras, alegrias e ternos sentimentos
Nunca mais de volta os terei
E ouvindo dela de despedida os lamentos
Não posso negar...chorei!

Sunday, 11 November 2018

Ela


"There is no instinct like that of the heart."
Byron

Só tu, puro amor,
Revives em mim aquele excelso momento
Marcado por inefável esplendor
E pelo beijo de um puro sentimento.

Tu eras uma dama linda e graciosa
E eu, um simples boêmio a vagar,
Que, sob os odores dos teus cachos e da noite ociosa,
Clamava a Deus: - Eterno, faça-a me amar!

Teus beijos me enchiam de delícias.
Éramos felizes, e o universo bem sabia
Que só de ti a fria pele sentir queria!

Mas tu e a noite não mais existem.
Partiste, deixando-me uma lágrima cair ao relento,
Enquanto tu eras levada languidamente pelo dantesco vento.

Não há o que comemorar



O sol continua a pôr-se
As nuvens escuras ainda estão no céu
Os carros passam sobre o asfalto
A farda continua branca ( ela não apareceu)
O sistema ainda funciona
A televisão ainda não pifou
O gás ainda não vazou
Eu ainda não me suicidei (ela não apareceu)
E não há fogos a soltar.

Um Grito


Um grito, somente um grito
Seria o suficiente para que as horas voltassem,
E o suicídio fosse desfeito,
Para que o livro nunca tivesse sido aberto
Para que a porta tivesse sido trancada
Para que a bebida não tivesse acabado
E para que eu nunca tivesse existido.