Thursday, 28 May 2020

Os Mitos da Igualdade, da Democracia e do Respeito Popular à Ética

Quando participei de um seminário que discutia sobre os desafios da gestão pública no século XXI, um dos palestrantes declarou, ao discursar sobre ética, que a administração pública deveria refletir os valores morais da população. De início, discordei de tal afirmação decididamente, pois acreditava que os líderes públicos seriam pessoas escolhidas dentre as demais por serem portadoras de determinadas características e de valores morais superiores ao usual, obtendo em troca disso reconhecimento e admiração da sociedade. Dentro dessa lógica, as pessoas escolheriam seus líderes não por que eles refletem o que elas pensam, mas sim por que teriam muitas coisas boas a aprender com eles. Os seres humanos não adoram a Deus por que Ele reflete o que eles são, mas sim por que Deus está infinitos graus acima em termos de sabedoria, amor, bondade etc do que qualquer uma de suas criaturas. Procurar sempre o que é melhor e superior deveria ser a práctica mais corriqueira para um desenvolvimento geral positivo do indivíduo.

Entretanto, com o passar do tempo, tendi a concordar com a afirmação do palestrante. Se temos uma administração pública ineficiente e corrupta e se nossos líderes são a encarnação mais torpe do anti-herói, isso tudo nada mais é que um reflexo do que é o povo que os elegeu. A democracia, ao colocar toda a responsabilidade e poder nas mãos do sine nomine vulgus, cria a ilusão de que o demos (povo) é imaculado, puro, casto e totalmente isento de erros. O povo seria a materialização do Sumo Bem, e todas suas ações seriam justificadas com base nisso. Isso é uma enganação que ganhou força desde, pelo menos, a época da Revolução Francesa, que contestou e desprezou a instituição da Hierarquia e da Autoridade, seja ela a de Deus ou a da Ordem Aristocrática. O próprio lema revolucionário – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – é contraditório per se, pois a liberdade necessita da desigualdade para se concretizar na vida práctica, livre das normas impositivas e estáticas da igualdade -  a qual só existiria através do uso da violência, da imposição, visto que ela é antinatural pelo fato de os homens serem desiguais  em essência, aptidões e intelecto. E sem liberdade não poderia haver, por fim, uma relação fraterna entre os homens. Em sua encíclica Divini Redemptoris, Papa Pius XI afirma que as propostas desse liberalismo revolucionário francês abriram as portas para demandas cada vez mais radicais de um inimigo mais poderoso: o comunismo.

O poder ilimitado do povo numa democracia parece justificar-se também em dois erros lógicos de argumentação, a saber, as falácias ad populum e ad numeram. Elas dizem, grosso modo, que uma afirmação é tão mais verdadeira quanto mais pessoas afirmam que ela o é. O conceito de verdade estaria condicionado à autoridade da quantidade. Se o povo diz que um certo  governante, apesar de ser corrupto e parlapatão, é o mais indicado a administrar uma nação, então teríamos todos de aceitá-lo. Quem, pois, teria a bravura necessária para, neste caso, fazer face á opinião massificada e contestá-la, sob a condição de ser xingado porventura de fascista  e de ser condenado ao isolamento?

O povo não se importa com a ética dos nossos administradores e líderes públicos, porque eles próprios não têm um comportamento moral exemplar a oferecer. São tão corruptos e imersos no vício quanto seus dirigentes. Os mais famigerados escândalos de corrupção como o mensalão, a máfia dos sanguessugas, a fabricação de dossiês, a criação do Foro de São Paulo que congrega diversos partidos comunistas da América Latina e cujas atas documentam relações explícitas de apoio do PT à narcoguerrilha das FARC não impediram a reeleição de Lula como Presidente da República. Tampouco as recentes denúncias de quebra de sigilo fiscal de vários integrantes de um partido de oposição e a demissão da ex-ministra da Casa Civil por tráfico de influência tiraram pontos percentuais da candidata governista nas pesquisas de intenção de votos. E o que tais factos nos revelam? Eles nos revelam que o povo está destituído de discernimento e de caráter a tal ponto que, embriagado pela propaganda governista e acorrentado ao assistencialismo lulista, perdeu o sentimento de indignação e de mal-estar diante dos atos mais abjetos que seus próprios governantes possam practicar contra a sociedade e a família. Se Lula, imitando o imperador romano Calígula, quisesse também nomear seu animal de estimação para algum cargo público, tal ato seria considerado como absolutamente normal e digno de louvor pela opinião pública a qual, aliás, Lula se autoproclama representante exclusivo , assim como Stalin, Mão Tse Tung e outros grandes dictadores costumavam se ver.

A única maneira de reverter tal conjuntura seria destruir o mito romântico da igualdade e recuperar o respeito ao conhecimento, à hierarquia social e aos valores morais do Cristianismo, bases da Cultura Ocidental e fatores valiosos para a edificação de uma civilização no Brasil. Sem isso feito, o próprio Ocidente se põe em perigo em face do crescimento maciço do movimento comunista que, radicalizando as propostas da revolução liberal de 1789 em França, procura pulverizar por quaisquer meios todo aquele que se oponha à sua tomada do poder político.  Aristóteles afirmou no livro Política quehá na espécie humana indivíduos tão inferiores a outros como o corpo o é em relação à alma ou a fera ao homem; são os homens nos quais o emprego da força física é o melhor que deles se obtém. Partindo dos nossos princípios, tais indivíduos são destinados por natureza à escravidão, porque, para eles, nada é mais fácil de obedecer”. Temos de admitir, por fim, que Aristóteles fez uma análise correta da condição humana e que, ao invés de encararmos o mundo como de facto ele é, preferimos viver num sonho cândido que se mostrará em seguida um pesadelo tão logo as cortinas do palco se cerrem, e as trevas se dissipem.

Escrito originalmente por volta do mês de outubro do ano de 2010 AD.

O que penso do Keynesianismo

Já é fato mais que notório que o Estado brasileiro é um dos Estados que mais cobram impostos no mundo.A carga tributária é altíssima, as pessoas trabalham mais da metade do ano só para pagarem impostos e, o que é ainda pior, são obrigadas a ver seu suado dinheiro, acumulado a custo de tantas dificuldades, ser empregado no financiamento de serviços e de bens públicos cada vez de menos qualidade ou serem desviados para contas bancárias de pessoas que ocupam altos cargos governamentais e de seus correligionários políticos. Muitos dizem que a alta carga tributária brasileira é conseqüência de incompetência administrativa. Ela não é só conseqüência disso como também da existência de um Estado forte e interventor que possui uma longa tradição histórica no Brasil e que se arroga o direito de ser o impulsionador exclus ivo do desenvolvimento pátrio, sem antes provar aos seus contribuintes e a si mesmo que tem a capacidade de lhes oferecer serviços básicos e essenciais com o mínimo de qualidade e eficiência. O setor público é tão desacreditado e pífio que nem aqueles que mais defendem e propagandeiam sua suposta excelência – os nossos representantes políticos como o Presidente socialista Luís Ignácio, por exemplo – têm coragem de fazer uso explícito e ostensivo deles, preferindo matricular seus filhos em instituições de ensino privadas e recorrer a hospitais particulares sempre que sentem o menor resfriado.

Ao contrário do que os apóstolos do pensamento único querem nos impor, o Estado interventor do credo keynesiano constitui-se, na prática, por estabelecer as sementes para a construção de um Estado totalitário: o Governo começa intervindo aqui e ali e, com o passar do tempo, se torna forte o suficiente para intervir onde quiser e sem prestar satisfação à sociedade.E todos sabemos que, com um Estado super-poderoso e com um líder carismático semidivino, a população acaba por ficar refém de seus ditames e de seus serviços, não podendo reclamar e acabam por se consolidar e institucionalizar as práticas maléficas do clientelismo, do paternalismo, da compra de votos nos currais eleitorais, do nepotismo com o emprego de familiares em cargos estatais, da falta de transparência na divulgação dos gastos públicos, da corrupção generalizada, da exploração de trabalhadores e empresários pelo Governo através da alta cobrança de tributos que dificultam os investimentos particulares e a criação de empregos etc.

O resultado da receita keynesiana é a construção e consolidação de um Estado faraônico que transforma a grande maioria da população em meros funcionários públicos e a estagnação econômica, já que, não havendo competição e o dinamismo que impulsionam o desenvolvimento como oco rre em economias liberais, o Estado interventor não se preocupa em oferecer serviços de qualidade e inovadores, o que poderia ser forçado nessa conjuntura através de manifestações populares – problema este que, numa economia capitalista liberal, se resolve somente indo comprar em outro lugar- se o povo não estivesse submetido ao Governo de forma tão bruta.

O Estado keynesiano é por essência autoritário e monopolizador, pois considera que apenas o mercado possui falhas, sem ter parado antes para pensar que o Governo também é inclinado a falhas e erros que são até maiores e mais prejudiciais a toda uma população que trabalha arduamente para financiar o sustento daqueles que vivem de cargos públicos e que fomentam a ignorância para manter seu “status quo”.

Texto originalmente escrito por volta do mês de agosto de 2010.

UNE: Um Câncer dentro das Universidades

Comumente, no Brasil, se costuma culpa o Governo em seus vários âmbitos pela falência que o ensino nacional tem passado desde há muito tempo. Presidentes, Governadores, Prefeitos, Vereadores e Professores são todos apontados culpados primariamente pela inexistência de um ensino decente e de qualidade por vários setores da sociedade civil que não consegue enxergar-se a si próprios como também detentores de uma parcela de culpa pelo problema,pois são estes quem colocam determinados políticos no poder que por sua vez determinam quais tipos de professores as universidades devem formar e que tipo de educação (se boa ou ruim) seus eleitores devem ter acesso.

Dentre os diversos setores da sociedade civil, gostaria de destacar aqui o da classe dos estudantes universitários, cujo centro aglutinador de atuação política e mais famoso por suas lutas é a União Nacional dos Estudantes (UNE). Sei que há também outras organizações estudantis atuantes e espalhadas pelo Brasil afora, porém ressalto a UNE por ser a mais antiga e politicamente poderosa dentre todas elas.

A UNE foi criada no final da década de 1930 aspirando a tornar-se uma organização que representasse todos os estudantes do país para lutar por seus interesses e por uma melhor educação oferecida ao povo. Cabe neste momento analisar dois pontos: 1)A legitimidade intelectual e consequentemente política para se criar um movimento formado em sua grande parte por jovens oriundos do final da adolescência e começando a amadurecer para a vida adulta; e 2)O caráter político estritamente comunista e falsamente neutro da tal União Nacional dos Estudantes.

O jovem se caracteriza por estar num período da existência marcado primordialmente pela experiência do aprendizado e pela vivência de muitas incertezas e conflitos. Ele ainda não possui valores sólidos e fixos os quais lhe possam servir como guia seguro pela imensa caminhada que há pela frente e ainda está muito longe de ter construído uma base intelectual ampla e variada a qual é necessária para começar a entender qual é o seu papel diante do mundo na sua vivência em sociedade e o que ele significa para si mesmo. Entendido isso, torna-se fácil entender que, dentre todos os estratos da população, os jovens são aquela camada mais vulnerável de ser manipulada por grupos políticos, meios de comunicação de massas, tribos urbanas etc e que somente pelo fato de estarem numa fase de incertezas e de aprendizados constantes para uma boa vivência coletiva, qualquer movimento de caráter político que tenha majoritariamente em sua base de apoio e de ação jovens e adolescentes não possui a mínima legitimidade política e muito menos intelectual, já que este ainda lhes está em formação.

Já a UNE, maior órgão político “estudantil” que se autodenomina “a entidade máxima de representação dos estudantes universitários”, desde sua fundação em 1937, se constitui primordialmente e acima de tudo como uma organização política que luta pelo comunismo, pela construção de um Estado operário e que busca atingir seus objetivos não somente através de manifestações violentas como a ocupação de reitorias e de universidades , como também pelo apoio de uma formação ideológica marxista nos meios educacionais objetivando o suprimento e o aumento contínuos de cada vez mais jovens em suas fileiras e a formação de condições materiais para uma possível revolução social. Não pensem os leitores que estou a fantasiar. Em seu próprio sítio eletrônico, a UNE admite que “de fato, é inegável a proximidade, inclusive histórica, com os chamados setores progressistas (leia-se “comunistas”) da sociedade brasileira” e que “se adotarmos a definição clássica do sociólogo Norberto Bobbio, em que ser de esquerda é lutar pela igualdade, a UNE é, sim, de esquerda”. De fato, a maioria de seus presidentes (se não todos) foram ou são filiados ao Partido Comunista do Brasil(PCdoB).

Em outro lugar de seu site, a UNE afirma que seu objetivo central é “a luta pela educação pública, gratuita e de qualidade”. O problema dessa afirmação não estaria somente no fato de ela ser inteiramente falsa, como também por ela atuar em prol de justamente o contrário: pela ausência de educação e pela destruição da sociedade.E a própria UNE nos fornece as provas.Ao invés de lutar pela melhoria de qualidade educacional nas instituições de ensino no Brasil, a UNE prefere apoiar e organizar campanhas em favor do aborto e do suposto direito que confere liberdade às mulheres para ter relações sexuais com o máximo de parceiros que lhes aprazer e que, caso venham a engravidar, o Estado lhes conceda o direito de assassinar seu futuro bebê sem qualquer condenação jurídica ,penal ou moral por isso. A ex-presidente da UNE e musa diabólica da juventude proletária, Lúcia Stumpf, afirmou ao jornal Folha de São Paulo que "estamos organizando uma grande campanha nas universidades sobre a necessidade de descriminalizar o aborto no Brasil. A UNE tem de fazer uma discussão sobre isso porque é uma realidade que a gente vive”. Ao invés de lutar pela formação de professores plenamente alfabetizados e capacitados realmente para o ensino, a UNE escolheu apoiar paradas do orgulho gay em diversos lugares do Brasil e lutar por mais direitos para os homossexuais, contribuindo decididamente para a destruição da família e do sagrado matrimônio entre homem e mulher. Novamente segundo Lúcia Stumpf, a Czarina Vermelha, “a nossa luta não é só combate à homofobia, mas também pela legalização da união civil de homossexuais e pela autorização para adoção”. E, finalmente, para coroar o completo poço de lama e esterco no qual a UNE se afunda cada vez mais, esta chegou ao absurdo de apoiar o consumo e a legalização do uso da maconha. Num artigo intitulado “O Lugar da Esquerda é na Marcha da Maconha”, escrito por Ronaldo Pinto Junior, Diretor de Assistência Estudantil da UNE, este “ser” afirma que “diversos Movimentos Sociais e partidos de esquerda aprovaram resoluções sobre a legalização da Maconha, principalmente levando em consideração o acúmulo que movimentos como a marcha mundial da maconha produziu no ultimo período. Chegou à hora de mostrar que a luta se constrói na prática. Confira a agenda de mobilizações da Marcha da Maconha, pegue sua bandeira, sua faixa e ocupe as ruas das principais capitais do País para defender a liberdade de expressão e a legalização da maconha. Libertem as plantas!”.

Só esses fatos bastam para que se compreenda que a UNE não luta e nem nunca lutou por uma “educação pública, gratuita e de qualidade” e muito menos que ela tenha a capacidade de representar qualquer estudante universitário deste país. Além de receber verbas do Governo Federal do PT, de ter grande parte de seus presidentes filiados ao PCdoB e de assumir um total compromisso com o projeto político marxista, a UNE entende que, para se ter acesso a uma “educação pública, gratuita e de qualidade”, se faça necessário primeiramente lutar pela legalização do aborto, pelo livre consumo da maconha ( pode ser que ela venha a defender o uso de outras drogas mais à frente), pelo direito antinatural de união civil e de adoção de crianças por casais de pederastas,lésbicas,travestis etc. O objetivo da UNE , é claro, não tem nada a ver com educação, mas sim com um amplo projeto de desmoralização e desestabilização política da sociedade brasileira. Iuri Bezmenov, ex-agente da KGB soviética e que já trabalhou para a agência estatal de notícias Novosti, disse que são somente quatro os estágios necessários para que uma nação seja destruída por grupos político-ideológicos subversivos: desmoralização, desestabilização, crise e normalização.

O simples fato de existirem, dentro de uma sociedade democrática, organizações políticas que banalizam e tornam vazia de significado a palavra protesto e que lutam por construir uma sociedade socialista totalitária de partido único como a de Cuba e a da Coreia do Norte, já é um completo crime e um desrespeito a todos aqueles que trabalham e que cumprem as leis neste país. Desacreditada e cada vez mais imersa em lama e escândalos, a UNE não tem mais qualquer condição moral para se autodenominar “entidade máxima de representação dos estudantes universitários”. É preciso que surjam na sociedade civil de forma urgente novas organizações de pessoas maduras e capacitadas que efetivamente estejam compromissadas a tentar resolver os problemas que os estudantes encontram no sistema educacional hodierno e que , acima de tudo, sejam no mínimo apartidárias e que não tentem transformar as pessoas em meros militantes simplórios de ideologias políticas utópicas e maléficas.

O lugar da esquerda não é na marcha da maconha, como alguém já o afirmou, mas no fundo do vaso sanitário.

Só não esqueçamos de puxar bem a descarga.

Texto escrito originalmente por volta do mês de maio de 2010 AD.

Ensino, onde estais?

No Brasil, já é conhecimento usual e genérico que o ensino superior ofertado por muitas escolas e universidades não oferece ao público a qualidade e excelência esperadas para a formação de pessoas cultas e instruídas. As escolas secundárias privadas visam exageradamente ao ingresso de seus alunos em cursos tradicionais e altamente concorridos de universidades públicas e privadas. Só lhes importam os números de aprovados em vestibulares, a propaganda imensa advinda disso e a matrícula de cada vez mais alunos em seu sistema de ensino determinado pelas exigências do vestibular. Disso se pode criar a falsa idéia de que os únicos conhecimentos importantes que as crianças e os adolescentes devem adquirir são aqueles que o vestibular e a universidade queiram que eles tenham. Já as escolas secundárias públicas nem forças para isso têm. Totalmente sucateadas quanto à infraestrutura e desprovidas de recursos humanos eficientes e de qualidade, o setor educacional secundário público brasileiro não oferece à sua própria população uma educação decente e positiva, o que, a priori, deveria existir, já que o Estado brasileiro possui uma carga tributária das mais altas do mundo e, com isso, possui uma soma de recursos mais que considerável para melhorar e investir cada vez mais em setores estratégicos para o desenvolvimento pátrio, como em instituições de ensino e nos serviços que elas oferecem às pessoas.Infelizmente,devido à incapacidade e falta de seriedade em todos os campos da administração pública nacional e à transformação do vício do desvio de dinheiro público em virtude,não se consegue ver tal medida concretizada na realidade.

O aluno da escola pública secundária muitas vezes obtém o diploma de conclusão de curso sem ao menos dominar conhecimentos básicos como a correta grafia das palavras, a resolução de operações matemáticas de radiciação e potenciação e a capacidade de ler e entender um texto. Some-se a isso professores intelectual e pedagogicamente incapazes de ministrar aulas e poder-se-á entender o que é a escola pública no Brasil.No sistema educacional público,aprende-se de tudo um pouco: desde o consumo de drogas até a prática de perversões sexuais e o uso da violência física grupal contra alguns poucos que querem estudar.Tem-se acesso a tudo isso,mas não há a mínima possibilidade de contato com o conhecimento e com a instrução.Todo esse caos decorre de pelo menos dois fatores:1)A falta de valorização da formação educacional como meio libertador e emancipador ao ser humano por parte do povo brasileiro,já que este,devido ao seu baixo grau de cultura e de conhecimento,não consegue compreender a importância que tem a erudição e a Cultura Superior que herdamos da civilização européia para a formação humanístico-cultural e para o desenvolvimento contínuo do indivíduo,preferindo práticas e hábitos degradantes e decadentes advindos de africanismo e indianismos;2)A inexistência da formação de educadores sérios e capacitados para fomentar a cultura e a erudição na sociedade por parte da Universidade brasileira,que é a geradora e continuadora de toda essa decadência.

Em minha curta experiência como estudante do curso de Administração em Gestão Pública da UAB (Universidade Aberta do Brasil), tenho podido perceber a ineficiência da dita “Educação Superior” brasileira. As dificuldades já começam por tratar-se de um curso semipresencial: por disciplina, os alunos têm direito somente a duas aulas presenciais mensais. No mês seguinte, o professor tem mais duas aulas presenciais a dar, sendo uma de revisão e outra de aplicação de exame. Como não há tempo para explicar aos alunos todo o conteúdo de uma forma calma, clara e segura,aqueles têm de fazer o máximo de esforço para aprender o quanto for possível sozinhos e provar ao seu professor que este conseguiu lhes fazer entender tudo direitinho através de inúmeras postagens em fóruns temáticos,chats,troca de e-mails,entrega de trabalhos de portfólio etc.Tal forma de ensino mecanizado e destituído de uma relação mais sólida e constante do professor com o aluno no processo de ensino-aprendizagem não tem sido muito produtiva.O professor não sabe como e se certamente o aluno está absorvendo o conteúdo, e o aluno não sabe se realmente está a aprender de forma segura,pois são muitos os fóruns e trabalhos a serem entregues.Não há tempo para reflexão em ambos os lados.

Grande parte dos estudantes, advinda do setor educacional público, traz à universidade suas deficiências lá adquiridas. Vítimas de uma educação ineficiente e que muitas vezes está mais preocupada em propagar ideologias políticas falidas do que ensinar um mínimo de conteúdo decente, espelham o caos do ensino escolar em muitas postagens oficiais feitas em fóruns, onde se podem constatar desde falhas na escrita com erros atrozes de ortografia,pontuação e concordância até a explicação da realidade sócio-econômica brasileira à luz da medíocre teoria marxista- que é a única que lhes foi ministrada na escola- e a bajulação inescrupulosa do Presidente da República.Tais falhas se constituem imperdoáveis para indivíduos adultos que passaram num exame vestibular e que têm por pretensão gerir órgãos públicos do Estado brasileiro.E para piorar a situação,certos professores, que deveriam alertar-lhes sobre os erros e sobre sua correção imediata,advertem verbalmente aqueles que tentam corrigir tais deficiências(eu,por exemplo) que estão a agir de uma forma soberba,anti-ética e intolerante.Tal quadro explicita muito bem a inversão valorativa que tem ocorrido no sistema educacional: os professores,que antes tinham a responsabilidade de ensinar o conteúdo e de prevenir o erro,agora têm somente a obrigação de ensinar o quanto menos e formar ignorantes.A deficiência de ontem tornou-se um objeto de louvor de hoje.O glamour e o orgulho de possuir um diploma de nível superior ou simplesmente de conhecer alguém que o possuísse, como há alguns séculos atrás, foi substituído hoje pela vergonha em saber que , segundo uma reportagem da revista Época ( que pode ser lida em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI108248-15228,00-DOS+BRASILEIROS+COM+ENSINO+SUPERIOR+NAO+SAO+PLENAMENTE+ALFABETIZADOS.html ) , 32% dos brasileiros com diploma de ensino superior(incluídos nessa porcentagem professores) não são totalmente alfabetizados; que muitos estudantes graduandos agridem fisicamente,jogam ácido,matam e estupram outros colegas calouros em trotes violentos pelo país etc.E o mais desesperador é saber que essas pessoas ocuparão cargos de médicos,advogados,juízes,professores,servidores públicos e ditarão os rumos que este país terá de tomar.

Praticamente todos os envolvidos no sistema educacional, quer sejam professores, coordenadores, diretores etc, têm muita consciência das falhas e erros existentes e pouca vontade de corrigi-los, o qual um e-mail a mim enviado por uma pessoa-chave da organização do curso, no qual admite que não se importa em entender e procurar solucionar os problemas, prova a incapacidade e falta de seriedade naqueles que deveriam zelar por um ensino de excelência e pelo respeito ao Saber.

Pena seja que muitos estudantes não tenham interesse em procurar melhorar não somente o ambiente educacional no qual estão inseridos, como também em corrigir suas próprias falhas e aperfeiçoar-se. Isso se explica tanto pelo fato de morarem em cidades pobres e atrasadas as quais não lhes oferecem muitas opções de educação e de emprego, como pelo fato de não possuírem interesse em verdadeiramente adquirir conhecimento, mas somente em conseguir o diploma e ter uma possível estabilidade financeira na futura profissão. Como mudar tudo isso sem antes repensar o projeto cultural e civilizacional sobre o qual o Brasil foi erigido?O que a sociedade pode esperar de bom e de eficiente de pessoas que carregarão um diploma debaixo do braço e que exigirão ser chamados de Sinhô Dotô?

Quando penso nisso, lembro-me frequentemente de uma pergunta feita por um jovem num site de relacionamentos na internet: - Não seria melhor comprar livros e estudar por conta própria em casa?Para quê serve o diploma? Para quê fazer faculdade hoje se se pode aprender muito mais estudando sozinho?Tendo em vista a terrível “educação” que nos é oferecida em escolas e universidades nos dias de hoje, sinto que a grande maioria das pessoas tenderia a lhe responder que sim.

Texto originalmente escrito por volta de maio de 2010 AD.

De Morte Philosophiæ

Como tudo que existe, a Filosofia já teve seu momento de glória. Houve Filósofos que se preocupavam realmente em respeitar o sentido etimológico da palavra, isto é, que se importavam realmente em amar a sabedoria e a busca da verdade. Uma educação filosófica verdadeira e que acima de tudo respeite a inteligência e a capacidade de compreensão dos alunos raramente se pode encontrar nos tempos atuais, quando é notório que a educação oficial em muitos aspectos dificulta ou não permite o ensino honesto e a independência racional de cada um.

Quando estive, há algum tempo atrás, no campus da Betânia da UVA, especificamente na área do curso de Filosofia, tive o imenso prazer de me reencontrar com velhos colegas e professores do curso que freqüentei não como aluno da instituição, mas como humilde interessado em aprender discutir sobre problemas filosóficos. Numa conversa com um professor do curso de Filosofia – que aqui designarei como “professor Bernstein”, mero nome escolhido arbitrariamente por mim, pois não quero revelar sua identidade-, expus-lhe minha concepção segundo a qual a atividade filosófica e seu produto, o conhecimento, são destinados exclusivamente aos ἀριστοι, os melhores-entendido aqui como aqueles que respeitam a verdade e o saber e que têm o interesse genuíno em desenvolver o intelecto e a sensibilidade, qualidades estas que são raras num mundo onde a maioria das pessoas valoriza a mentira, a futilidade e a estupidez. A Filosofia, disse-lhe, é aristocrática e elitista por natureza, não num sentido marxista e infantil de que seria um clube fechado e monopolizado por supostos “burgueses” maus, mas sim porque é reservada e cultivada por pessoas que têm interesse primordial em educar e instruir o espírito e a inteligência, pessoas estas que, em geral, são a minoria interessada e capaz de desenvolver uma autentica cultura. O professor Bernstein, não compreendendo o sentido exato das minhas palavras, encaminhou a discussão para a interpretação marxista da realidade e disse-me que a Filosofia não pode ficar restrita à chamada elite – como se esta não mais preferisse Medicina ou Engenharia Aeroespacial, – mas deve estar voltada para o proletariado.

Ao ouvir tais palavras, fiquei totalmente aterrorizado, pois sei que não só no curso de Filosofia da UVA, mas também nos cursos de Filosofia de grande parte das universidades brasileiras, essa visão errônea e politiqueira é dominante. A visão marxista expressa pela opinião do professor Bernstein procura transformar a Filosofia em uma “filocracia” operária, ou seja, num louvor ao poder dos trabalhadores de fábricas, dos operários. Tal concepção busca transformar a Filosofia em filosofismo e converter aquilo que antes era um instrumento do desenvolvimento da razão e da sensibilidade em mero meio de propaganda político-ideológica de uma classe cujo resultado será unicamente paralisar e destruir a capacidade racional do homem, rebaixando o nível da produção intelectual da nação, como diria o filósofo Olavo de Carvalho. É a destruição completa da Filosofia. Destruição esta que é ensinada por Karl Marx na tese XI de suas Teses contra Feuerbach, na qual diz: ”Os filósofos se ateram somente em interpretar o mundo, mas o que importa é transformá-lo”. Afirmando isso, Marx exige a passagem da Filosofia contemplativa, discursiva e baseada na razão, para uma “filosofia” baseada em paixões, irracionalismos, ilogismos e na ação política que possibilite a ascensão de uma classe e partido político, neste caso não só o Partido Comunista, como também demais organizações de esquerda e revolucionárias legais ou clandestinas. Ou seja, Marx não aconselha que estudemos Filosofia para resolver uma questão ou dúvida religiosa, existencial, moral, metafísica etc., que realmente nos interesse ou por simples gosto de conhecer, mas para ser um soldado sempre disposto a lutar e morrer em nome da tal revolução comunista. É a passagem do ser pensante ao não ser incapaz de pensar, instrumento barato e manipulável.

Ainda segundo o professor Bernstein, a Filosofia tem de ser levada ao proletariado. Mas o correto não seria que as próprias pessoas deixassem de se interessar por assuntos ocos e prosaicos e voltassem sua atenção para a Filosofia? A Filosofia não deve ser levada a ninguém, porque ela não é uma religião de salvação, nem os filósofos são missionários. A Filosofia tem de ser valorizada e amada por pessoas que verdadeiramente se interessam pelos problemas e discussões levantadas por ela. Jamais deve ser imposta. Ela é posse exclusiva de pessoas que fazem por merecê-la. E tais pessoas podem encontrar-se em qualquer classe social.

Para o pensamento esquerdista de alguns professores da UVA, o proletariado é uma imensa massa envolta em miséria e opressão e que, por causa disso, têm o direito e a obrigação de destruir a sociedade e usurpar o poder político, criando assim uma moral de destruição sanguinária na qual o ato mais desprezível é justificado e considerado como virtude caso atenda aos interesses da revolução (vide Catecismo do Revolucionário de Sergei Netcháev). Consequentemente, eu e você, leitor, teremos de pagar com a vida, porque, segundo eles, somos “opressores do proletariado”. Toda a moral marxista não passa de argumenta ad lazarum e pluria interrogationa.

Some-se a esse quadro negro uma maioria esmagadora de estudantes alheados do que seja Filosofia, que criaram o hábito de ler resumos, e não livros (livros de autores clássicos da Filosofia, e não de Marilenas Chauis), que mal sabem escrever – fato este assumido por um próprio professor do curso de Filosofia a mim-, que passaram no vestibular não porque acertaram grande quantidade de questões conscientemente (mérito próprio), mas por que não zeraram a prova (o que é possível graças à baixa concorrência que possibilita ao vestibulando acertar 20 questões de 60 e já ter sua vaga garantida) e que estão mais preocupados em terminar o curso o mais rápido possível com o intuito de obter o tão amado diploma e mostrá-lo ao prefeito de sua cidade para que lhe consiga uma vaga em alguma escola pública. Com base nisso, como se pode afirmar que o ensino, a aprendizagem e a produção filosófica no Brasil realmente existem e funcionam?

Penso eu que, enquanto tal pensamento reducionista e ingênuo continuar a reinar nas instituições de ensino, e estas estiverem ocupadas por estudantes mais preocupados em ler livros de auto-ajuda e os de Paulo Coelho (que, segundo ele próprio, é o “intelectual mais importante do Brasil”) do que estudar o que é importante, não haverá condição alguma de se ensinar e de se aprender realmente Filosofia, nem de formar pessoas capazes de produzir conhecimento com contribuições originais, e não simplesmente repeti-lo, como acontece hoje. A Filosofia está sendo destruída, e, se nada for feito, a única coisa que poderemos dizer será: – Requiescate in pace, philosophia.

Texto originalmente escrito por volta de abril de 2010 AD.

No Restaurante

Eu estava sentado numa mesa, comendo.
Havia outras mesas no lugar.
O lugar estava lotado.
De repente,eu levo a colher de sopa à boca
E noto um olhar.
Uma moça da mesa defronte à minha me olha
Eu paro.
Seu olhar me prende.
Minha boca aberta espera a sopa.
Ela pisca o olho como se quisesse me dizer algo.
O homem ao lado vira-se e me olha também.
Ele sorri.
Minha mãe treme e um pouco de sopa cai da colher.
Eu olho para o lado,
E a senhora de vestido negro se dirige a mim
Com olhos espantados.
O garçom para no meio de sua caminhada
E começa a gritar.
Logo percebo que todos dirigem seu olhar para mim.
E minha boca continua a esperar pela colher de sopa,
Sem saber por quê.
Medo do absurdo.
Tesão do absurdo.
Vivência do absurdo.
Morte do absurdo.