No
Brasil, já é conhecimento usual e genérico que o ensino superior
ofertado por muitas escolas e universidades não oferece ao público
a qualidade e excelência esperadas para a formação de pessoas
cultas e instruídas. As escolas secundárias privadas visam
exageradamente ao ingresso de seus alunos em cursos tradicionais e
altamente concorridos de universidades públicas e privadas. Só lhes
importam os números de aprovados em vestibulares, a propaganda
imensa advinda disso e a matrícula de cada vez mais alunos em seu
sistema de ensino determinado pelas exigências do vestibular. Disso
se pode criar a falsa idéia de que os únicos conhecimentos
importantes que as crianças e os adolescentes devem adquirir são
aqueles que o vestibular e a universidade queiram que eles tenham. Já
as escolas secundárias públicas nem forças para isso têm.
Totalmente sucateadas quanto à infraestrutura e desprovidas de
recursos humanos eficientes e de qualidade, o setor educacional
secundário público brasileiro não oferece à sua própria
população uma educação decente e positiva, o que, a priori,
deveria existir, já que o Estado brasileiro possui uma carga
tributária das mais altas do mundo e, com isso, possui uma soma de
recursos mais que considerável para melhorar e investir cada vez
mais em setores estratégicos para o desenvolvimento pátrio, como em
instituições de ensino e nos serviços que elas oferecem às
pessoas.Infelizmente,devido à incapacidade e falta de seriedade em
todos os campos da administração pública nacional e à
transformação do vício do desvio de dinheiro público em
virtude,não se consegue ver tal medida concretizada na realidade.
O
aluno da escola pública secundária muitas vezes obtém o diploma de
conclusão de curso sem ao menos dominar conhecimentos básicos como
a correta grafia das palavras, a resolução de operações
matemáticas de radiciação e potenciação e a capacidade de ler e
entender um texto. Some-se a isso professores intelectual e
pedagogicamente incapazes de ministrar aulas e poder-se-á entender o
que é a escola pública no Brasil.No sistema educacional
público,aprende-se de tudo um pouco: desde o consumo de drogas até
a prática de perversões sexuais e o uso da violência física
grupal contra alguns poucos que querem estudar.Tem-se acesso a tudo
isso,mas não há a mínima possibilidade de contato com o
conhecimento e com a instrução.Todo esse caos decorre de pelo menos
dois fatores:1)A falta de valorização da formação educacional
como meio libertador e emancipador ao ser humano por parte do povo
brasileiro,já que este,devido ao seu baixo grau de cultura e de
conhecimento,não consegue compreender a importância que tem a
erudição e a Cultura Superior que herdamos da civilização
européia para a formação humanístico-cultural e para o
desenvolvimento contínuo do indivíduo,preferindo práticas e
hábitos degradantes e decadentes advindos de africanismo e
indianismos;2)A inexistência da formação de educadores sérios e
capacitados para fomentar a cultura e a erudição na sociedade por
parte da Universidade brasileira,que é a geradora e continuadora de
toda essa decadência.
Em
minha curta experiência como estudante do curso de Administração
em Gestão Pública da UAB (Universidade Aberta do Brasil), tenho
podido perceber a ineficiência da dita “Educação Superior”
brasileira. As dificuldades já começam por tratar-se de um curso
semipresencial: por disciplina, os alunos têm direito somente a duas
aulas presenciais mensais. No mês seguinte, o professor tem mais
duas aulas presenciais a dar, sendo uma de revisão e outra de
aplicação de exame. Como não há tempo para explicar aos alunos
todo o conteúdo de uma forma calma, clara e segura,aqueles têm de
fazer o máximo de esforço para aprender o quanto for possível
sozinhos e provar ao seu professor que este conseguiu lhes fazer
entender tudo direitinho através de inúmeras postagens em fóruns
temáticos,chats,troca de e-mails,entrega de trabalhos
de portfólio etc.Tal forma de ensino mecanizado e destituído de uma
relação mais sólida e constante do professor com o aluno no
processo de ensino-aprendizagem não tem sido muito produtiva.O
professor não sabe como e se certamente o aluno está absorvendo o
conteúdo, e o aluno não sabe se realmente está a aprender de forma
segura,pois são muitos os fóruns e trabalhos a serem entregues.Não
há tempo para reflexão em ambos os lados.
Grande
parte dos estudantes, advinda do setor educacional público, traz à
universidade suas deficiências lá adquiridas. Vítimas de uma
educação ineficiente e que muitas vezes está mais preocupada em
propagar ideologias políticas falidas do que ensinar um mínimo de
conteúdo decente, espelham o caos do ensino escolar em muitas
postagens oficiais feitas em fóruns, onde se podem constatar desde
falhas na escrita com erros atrozes de ortografia,pontuação e
concordância até a explicação da realidade sócio-econômica
brasileira à luz da medíocre teoria marxista- que é a única que
lhes foi ministrada na escola- e a bajulação inescrupulosa do
Presidente da República.Tais falhas se constituem imperdoáveis para
indivíduos adultos que passaram num exame vestibular e que têm por
pretensão gerir órgãos públicos do Estado brasileiro.E para
piorar a situação,certos professores, que deveriam alertar-lhes
sobre os erros e sobre sua correção imediata,advertem verbalmente
aqueles que tentam corrigir tais deficiências(eu,por exemplo) que
estão a agir de uma forma soberba,anti-ética e intolerante.Tal
quadro explicita muito bem a inversão valorativa que tem ocorrido no
sistema educacional: os professores,que antes tinham a
responsabilidade de ensinar o conteúdo e de prevenir o erro,agora
têm somente a obrigação de ensinar o quanto menos e formar
ignorantes.A deficiência de ontem tornou-se um objeto de louvor de
hoje.O glamour
e o orgulho de possuir um diploma de nível superior ou simplesmente
de conhecer alguém que o possuísse, como há alguns séculos atrás,
foi substituído hoje pela vergonha em saber que , segundo uma
reportagem da revista Época ( que pode ser lida em
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI108248-15228,00-DOS+BRASILEIROS+COM+ENSINO+SUPERIOR+NAO+SAO+PLENAMENTE+ALFABETIZADOS.html
) , 32% dos brasileiros com diploma de ensino superior(incluídos
nessa porcentagem professores) não são totalmente alfabetizados;
que muitos estudantes graduandos agridem fisicamente,jogam
ácido,matam e estupram outros colegas calouros em trotes violentos
pelo país etc.E o mais desesperador é saber que essas pessoas
ocuparão cargos de médicos,advogados,juízes,professores,servidores
públicos e ditarão os rumos que este país terá de tomar.
Praticamente
todos os envolvidos no sistema educacional, quer sejam professores,
coordenadores, diretores etc, têm muita consciência das falhas e
erros existentes e pouca vontade de corrigi-los, o qual um e-mail
a mim enviado por uma pessoa-chave da organização do curso, no qual
admite que não se importa em entender e procurar solucionar os
problemas, prova a incapacidade e falta de seriedade naqueles que
deveriam zelar por um ensino de excelência e pelo respeito ao Saber.
Pena
seja que muitos estudantes não tenham interesse em procurar melhorar
não somente o ambiente educacional no qual estão inseridos, como
também em corrigir suas próprias falhas e aperfeiçoar-se. Isso se
explica tanto pelo fato de morarem em cidades pobres e atrasadas as
quais não lhes oferecem muitas opções de educação e de emprego,
como pelo fato de não possuírem interesse em verdadeiramente
adquirir conhecimento, mas somente em conseguir o diploma e ter uma
possível estabilidade financeira na futura profissão. Como mudar
tudo isso sem antes repensar o projeto cultural e civilizacional
sobre o qual o Brasil foi erigido?O que a sociedade pode esperar de
bom e de eficiente de pessoas que carregarão um diploma debaixo do
braço e que exigirão ser chamados de Sinhô Dotô?
Quando
penso nisso, lembro-me frequentemente de uma pergunta feita por um
jovem num site de relacionamentos na internet: - Não
seria melhor comprar livros e estudar por conta própria em casa?Para
quê serve o diploma? Para quê fazer faculdade hoje se se pode
aprender muito mais estudando sozinho?Tendo em vista a terrível
“educação” que nos é oferecida em escolas e universidades nos
dias de hoje, sinto que a grande maioria das pessoas tenderia a lhe
responder que sim.
Texto
originalmente escrito por volta de maio de 2010 AD.

