Anacreonte
Anacreonte de Teos foi um dos poetas mais influentes não só na
Grécia antiga, mas no imaginário do mundo ocidental desde então. É dito
que teria vivido até os oitenta anos e jamais abandonado o estilo de
vida boêmio, cantando os prazeres do vinho e do amor, tanto por rapazes
como por moças.
Se é verdade que viveu tanto tempo dessa forma, não sabemos. O que
sabemos é que a lenda de sua vida se tornou o símbolo de algo maior, da
potência vital que existe nos prazeres mundanos, capaz de suprimir,
ainda que não para sempre, as dificuldades da vida.
Sua poesia era majoritariamente amorosa, mas também teria composto
outros gêneros, como a elegia e o jambo. Os fragmentos que temos de sua
obra revelam uma poesia com grande variedade de formas, atestando a
posição do poeta como um dos maiores nomes da lírica grega.
Anacreonte Fr. 360
Esta singela quadra de versos expõe, assim como o Fr. 31 de Safo, um
caso de amor não correspondido. O eu-lírico se dirige a um jovem, a
quem parece admirar à distância. Apesar da intensidade de seu
sentimento, o rapaz não percebe que dirige a alma do eu-lírico como se
fosse um piloto.
É importante notar que, na Grécia antiga, era comum que homens mais
velhos (os “amantes”) procurassem o favor de meninos adolescentes (os
“amados”), a quem ofereciam presentes e instrução em troca de sua
atenção. Essa instituição social era chamada de pederastia (“amor a
meninos”), fazendo parte da iniciação dos jovens na vida social. Ainda
que pudessem se manter amigos para o resto da vida, o relacionamento
amoroso parecia se circunscrever à adolescência do amado.
Íbico Fr. 287
Íbico, assim como Anacreonte, cantava os prazeres do amor, em
especial, o amor a meninos. O fragmento em questão descreve como o
eu-lírico é arrebatado pela paixão ao olhar para os olhos de seu amado,
que se confunde com a própria figura de Eros, a divindade do amor. Assim
como no poema de Anacreonte, o fragmento termina com uma imagem criada a
partir do imaginário hípico: o poeta se compara a um cavalo que um dia
já foi campeão, mas que agora, já velho, se vê forçado de volta a uma
competição para a qual não está preparado.
Anacreônticas 2
Apesar de não terem sido compostos por Anacreonte, os poemas das Anacreônticas têm um duplo valor: como poesia e como documentação da imagem do poeta de Teos ao longo da antiguidade.
No poema em questão, o eu-lírico almeja a excelência de composição
de Homero, mas não a matéria de seus poemas, em detrimento da qual, em
outra recusa, ele elege a temática dionisíaca como motivo de seu canto.
Apesar da simplicidade do tema, o pedido do poeta é feito com certa
mestria a partir da imagem alegórica da lira de Homero, de cuja corda de
assassínio, entretanto, ele abdica.
Fonte: <https://lumina.ufrgs.br/course/view.php?id=18>. Acesso em 27/04/2020.
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