Monday, 27 April 2020

Simônides

 Foi um dos maiores poetas líricos da Grécia antiga, celebrado por sua poesia de caráter elevado e sapiencial. De sua vasta produção poética, temos apenas fragmentos. 

     De acordo com Platão, o poeta teria vivido em Atenas na mesma época em que Anacreonte, ambos por convite dos irmãos Hípias e Hiparco, tiranos herdeiros de Pisístrato. Essa relação entre governantes e poetas não era incomum. O próprio Platão viveu na corte de Dioniso de Siracusa próximo ao fim de sua vida. Aristóteles, segundo os antigos nos contam, teria sido preceptor de Alexandre, o Grande. Péricles, o estratego ateniense durante a guerra do Peloponeso, mantinha o filósofo Anaxágoras entre seus companheiros. Alcibíades, sobrinho de Péricles e estratego durante a expedição contra a Sicília, estava entre os discípulos de Sócrates. A lista continuaria por páginas e páginas.

     Simônides, ao que tudo indica, foi o inventor de um gênero poético intrinsicamente ligado à aristocracia: o epinício. Esse tipo de poema era composto e cantado, sob encomenda, para vencedores de grandes competições atléticas, como os jogos olímpicos. Dentre esses jogos, o mais distinguido era a corrida com quadriga (o carro levado por quatro cavalos). Ao contrário do que se pode esperar, o vencedor desse tipo de competição não era o piloto, mas, sim, o dono dos cavalos. A glória maior não estava em correr na pista, ainda que isso também fosse louvado, mas em ter dinheiro o bastante para bancar os dispendiosos gastos envolvidos na manutenção de cavalos. O próprio Alcibíades, para justificar que lhe dessem o posto de estratego, teria usado como argumento suas vitórias nesse tipo de competição. A poesia, nesse ponto, entra como parte da legitimação do poder, quase como uma propaganda política.


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