Quando ontem passeava
Na praça triste e soturna
Procurava entre os semblantes e na luz da lua
Os olhos daquela a que mais amava.
Já o dia inteiro desejando
Qual uma criança pelos doces chorando
Sentir dela o odor das flores
Para que do meu coração se afugentassem as dores
Qual uma rainha de um grande império
Seu sorriso e beleza me faziam exclamar:
-Oh, quão desgraçado sou
Por seus lábios nunca ter podido beijar!
Observo casais indo e vindo
De mãos dadas, sorrindo
Sem ao menos suspeitar da tempestade
Que ruge forte e desafia a Potestade!
A bela leviana não me apareceu
Pois só existe da febre nos delírios
Quando eu, sonhando e sentindo calafrios,
A vejo e roubou um beijo seu!
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