Há quem não goste da noite
Das luzes, dos batons, dos decotes
Eu prefiro adorá-la
Essa simpática e abstrata senhora
A mãe de todos os delitos
A dona da fumaça que ecoa nos cafés
Mesmo que não sejam os parisienses
E sim aquele lá da minha cidade
Sem requinte, sem tabaco
A noite por si só já é enorme
Só precisa de um complemento para ser suprema
Um neon, um vício, um ócio, um delito
Afinal, a luz pra se sentir realmente luz
Necessita de uma parte negra para ser completa
Para poder ser como a noite
A mãe de todos os delitos
Cláudio Mateus Araújo
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