Diálogo entre Sônia e Raskolnikov,v. II, pág.182-191
"...Agora choras e me abraças, mas dize... por quê? Porque não tive coragem de carregar meu fardo e vim descarregá-lo sobre outrem, dizendo-lhe: "Sofre também, ficarei aliviado". Entretanto, como podes amar um covarde assim?
-E tu também não sofres? - redarguiu ela.
O mesmo sentimento encheu de novo o coração do moço, enternecendo-o.
-Sônia, tenho mau coração: toma cuidado; isso explica muita coisa...
-Não, não, tu fizeste bem em vir! - exclamou Sônia (....).
Estavam ali, tristes e abatidos como dois náufragos atirados pela tormenta numa praia deserta. Ele olhava para Sônia e sentia o quanto ela o amava. Mas, coisa estranha, aquela imensa ternura de que ele se via objeto causava-lhe uma impressão aflitiva e dolorosa."
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